terça-feira, 28 de dezembro de 2010

As coisas agora vão ser escritas num outro endereço.
Por simples questão de modernidade e estética.
Interessados é só falar comigo.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Lembrete.

Hoje, ao som de uma vaguidão, me disseram que não acreditam na eternidade.
Eu fiquei quieta, mas agora que é madrugada eu vejo com clareza:
como não acreditar na eternidade
se estamos nela?

O Eterno é diferente do Imutável.
É preciso saber fazer essa separação.
Assim como é preciso saber separar Deus de religião.
Porque me disseram também, uma vez, dessa vez sobre o ambiente amarelo e vermelho:
- Você acredita em Deus?
- Não sei.
- É uma boa resposta.
- E você?
- Quase não acreditando.
- Por quê?
- Porque eu estou lendo aquele livro, Deus - um delírio, estou no comecinho ainda, mas pra você ver... A crença em Deus vem toda das instituições religiosas. Desde pequenos somos levados a isso...Porque o Homem, naturalmente, procura um sentido para a vida. Aí entram as religiões.
Eu fiquei quieta pensando um pouco. Depois respondi:
- Você está me falando de religião e não de Deus.

Não me digam não crer na Eternidade quando na verdade, estão pensando em outra coisa.
A Eternidade é tipo o Tempo.
Está em volta de nós como o ar.
Não é como um estado do ser. Não é como qualquer coisa física e tocável.
É sentível. Mas só se você prestar muita atenção.
Clarice dizia que conseguia parar para sentir o Tempo.
Paremos então, para sentir a Eternidade.
Ela não é Imutável, entende?
A Eternidade está aqui, por isso sei de sua Existência.
Ou eu estou nela...
Sim, de fato, eu estou nela.
Mas façamos as separações.
As diferenciações.
Não crie conceitos prontos e pseudo-científicos-sociais em cima dela.
Ou então nunca se chegará à Essência da Eternidade.
E ela é diferente de tudo.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Dia dezoito de Dezembro de 2010.

É com imensa melancolia que hoje escrevo. Estou lúcida, estou lúcida como quem achou, viu e agora se perdeu para sempre no que fora visto. É uma lucidez embriagante, densa. Hoje eu olho para a vida, mas minha lucidez impede de sentí-la de maneira verdadeira. A vida hoje está por de mais pesada e densa e difícil de carregar sobre os ombros. Olho para a vida com o mesmo interesse que se olha para um muro estúpido. Até mesmo escrever se torna quase impossível. Eu penso e repenso e as palavras não saem.
A vida inteira me fizeram acreditar que hoje é um dia especial, pois vejam que coisa boba, conforme o tempo passa a gente vê que dias especiais não existem, que dias são só dias, dias - um atrás do outros - dias e mais dias, e o tempo passa. Os dias vêm para que o tempo passe, para que a gente esqueça que os dias poderiam ser melhores. Perdoe, mas não tenho mais a esperança que muitos têm. Essa esperança de que 'no último acontecerá...' Já vivi vários últimos minutos do fim do (meu) mundo e nada veio. Nada veio para me salvar, nenhum sorriso para me confortar, nenhuma surpresa, nada surpreendente. Tenho saudade de ser surpreendida.
Hoje vi como a felicidade deles é fácil. Como eles atingem facilmente um estado pleno de satisfação e prazer. Alegres, eles estão alegres. Basta dar qualquer acontecimento, qualquer fato concreto, qualquer coisa que se pegue, que se apegue. Carentes eu digo que eles são. Eu sou também. Mas não me iludo mais. Não me sinto feliz por ter um carinho. Eu quero mais. Eu quero é a outra coisa. Não me basta só rostos bonitos e sorridentes. Não me basta só intelectuais e bons argumentos. Não me iludo mais. Não que isso seja pouco, na verdade é muito é tanto... Eu só não me iludo mais. Eles, os que são felizes, se contentam com uma conversinha fútil ali, um amorzinho bobo aqui, uma festa lá, uma aprovação cá. Queria que minha felicidade fosse simples desse jeito. Queria mesmo. Pois o que há de pior nesse mundo, o que há de mais estúpido nesse muro, desculpa, mundo é a incapacidade de se sentir feliz com as coisas dele. Há muito minhas esperanças se esgotaram. Felicidade? Não, não está nos meus planos. Por que então logo hoje as pessoas cismam de me dar 'parabéns'? Parabéns pelo o quê? Idade é pouca merda. "Que todos os seus sonhos se realizem". Bem, para todos os meus sonhos se realizarem seria necessário nascer de novo, num outro século, num outro mundo, numa outra dimensão. Ou então, quem sabe, nem nascer.
Sou pesada? Pessimista? É um absurdo?
Bem, pense como quiser, se eu não tenho ânimo mais para ilusões, vou ter para revoltas?
Viva no seu belo mundo de felicidade e dramas, você está tão bem aí quanto eu no meu mundo 'sombrio e estúpido.'