quinta-feira, 25 de novembro de 2010

( Eu tenho que contar essa história porque essa história está engasgada nos meus pensamentos e freqüentemente ela tem me impedido de escrever outra coisa. Então eu escrevo porque ela insiste, não porque eu quero. Eu quero me livrar logo dela, para não ter que escrevê-la ou pensá-la de novo. Mas tenho medo. Tenho porque essa é uma história muito delicada. E é uma história muito difícil de narrar. Sinto que por mais que eu me esforce a acrescente elementos e me concentre e tente, eu jamais conseguirei descrevê-la com precisão. Jamais. O entendimento dessa história é maior que tudo o que conheço, o momento dessa história é delicado demais e nós, humanos, com nossas patas insensíveis e imediatas, jamais conseguiremos absorvê-la como quem absorve uma fruta. Essa história não é digerível. Só é digerível para quem viveu. Quem viveu, vai logo saber e o sentimento vai voltar. Viver tem mais peso que a escrita, ainda mais a minha, tão imprecisa. Então, já peço que me perdoem. Me perdoem pela minha falta de capacidade de descrever essa história como deveria ser descrita. Mas eu preciso dar para alguém essa história. Eu não quero mais ficar com ela.'Tome-a! É sua, abra!' E sem saber, é o peso e a insistência do mundo de presente... )

As garotas, animadas, enchiam seus balões de água.

Os garotos, escondidos, enchiam seus balões de água.

Uma chuva forte rasgava o ar. Mas não houve quem se importasse, isso tornou tudo até melhor.

Andaram todos, garotos e garotas, como se estivesse combinado, para um lugar espaçoso e aberto.

Contaram...3...2...1...já!

E os balões cheios de água estouravam em corpos já molhados. Os garotos miravam nas pernas e nos seios das garotas que pareciam não importar com isso. As garotas j0gavam os balões nos garotos. Todas tinham em quem jogar. Era óbvio. Se você está a fim de um garoto, em quem você vai jogar o balão de água? Nele, obviamente. E ele? Em você. É a lógica. Se você tem uma amiga, muito, muito amiga em quem você vai jogar o balão? Nela, obviamente. Ou então combinarão as duas de jogarem em um garoto amigo das duas. E se segue assim. Quem via de longe, via uma pequena confusão de amontoado de pessoas. Eu estava mais perto, sentada, embaixo de uma árvore, então via detalhadamente as expressões, de onde vinham os gritos - quem gritava. A confusão estava quase fim (durou apenas alguns minutos, no máximo trÊs), foi quando eu vi.

Havia uma garota.

Ela estava com todos os seus balões na mão e estava mais seca que os outros. Ela sustentava um sorriso ansioso, sem saber o que fazer, olhando pros lados, olhando pros outros- e olhou pra baixo.

Ninguém parecia notar que ela estava ali. Ninguém jogou um balão de água nela.

Quando ela percebeu que a confusão já estava acabando, para não parecer ridícula, jogou os balões, um de cada vez, no chão. E parou de sorrir por uma fração de segundo. Depois voltou a sorrir, como se tivesse se divertido muito e estivesse até cansada.

Ela não me viu. Ela tem certeza que não foi vista. Ela tem certeza que esse momento de solidão e vergonha, ficou só pra ela. É assim: num momento, ela estava como todos, se divertia como todos. Mas ela não foi escolhida por ninguém para se divertirem juntos.

Isso não foi uma metáfora. Eu não faço metáforas quando não quero parecer idiota.

Life


O que fazer quando a princípio se cria em algo que acredita ser a Verdade Absoluta e o Desejo Original, mas que, por uma ironia da Vida, descobre-se que o que parecia Absoluto e Original, não passava de Falso e Raso?

E o que fazer ainda, quando, por mais uma ironia da Vida, para que as máscaras pudessem cair você teve que ganhar algo imutável que estará sempre contigo de uma forma ou de outra, mas que não coincide com o que você descobriu ser seus Verdadeiros Desejos e suas Verdades Originais?

Passo a passo.


Você já sentiu como se tivesse se preparado pra algo, com todo o esforço que pôde, com toda a certeza que iria, com toda a vontade que daquilo acontecer?

Você, alguma vez, já parou para olhar em volta e sentiu alivio por ser um dos único s a saber o que quer? Já teve a certeza de um objetivo, certeza de um querer, certeza de uma Vida?

É uma corrida. Estamos ou já estivemos todos nela. E eu sabia, eu tinha certeza, que iria seguir meu caminho, e iria chegar a algum lugar.

Eu tinha sonhos grandes.

Me ensinaram que o fato de você saber que caminho seguir já era uma vantagem, assim eu não me perderia nas inúmeras escolhas entre as ladeiras e curvas.

Durante o treinamento, uma vez, me disseram que eu só poderia continuar se amputasse minhas duas pernas porque elas estavam podres. Hesitei. Como correria sem elas? Então me disseram que se não amputasse, a podridão tomaria todo meu corpo. Eu não tive escolha. Mas me asseguraram que não é impossível correr estando sem as pernas. No treinamento, ganhei próteses removíveis e exercitei meus braços.

Eu tinha vergonha de não ter minhas pernas, mas todos, depois que o choque passava, pareciam achar bonito meu esforço e até o fato de eu não ter pernas.As pessoas pediam para tocar a pele onde deveria estar minhas pernas. As pessoas tiravam fotos comigo. As pessoas me diziam que eu era a mais bonita pessoa sem pernas. Eu não gostava de nada disso, mas as pessoas insistiam.Algumas me olhavam com ar de pena. Outras, eu via, tinham repulsa por mim. Mas as pessoas com quem eu correria sempre me tratavam bem. E me elogiavam, e me ajudavam quando eu precisava. Meus treinadores também me ajudavam muito. E eu agradecia. Olhava e agradecia. Até aqueles que não se dedicavam muito me ajudavam, e eu pensava que aqueles ali não chegariam nem no meio da corrida e seria uma pena ter que ir sem eles.

Até que os dias foram passando e chegou o dia da corrida. Me coloquei no meu lugar. Então o dono da corrida veio falar comigo. Ele disse: “Desculpe, mas você não pode concorrer com eles. Você deveria estar ali. Na sua categoria.” – Ele apontou para a corrida de aleijados, dementes e problemáticos. Eu olhei para ele firmemente e disse:

“Eu não vou correr ali. Eu posso muito mais do que isso. Eu não nasci aleijada, eu já soube andar sozinha! Eu não sou demente, nem problemática! “

– “Desculpe, mas se permanecer aqui, você não poderá usar as próteses.” – Mais uma vez, me tiravam o que aprendi a depender. – “ Se for pra lá, você poderá usar. E há mais chances de ganhar a corrida, ou chegar a algum lugar.”

“ Sinto muito, senhor,mas eu não vou pra lá. Eu não quero aquele caminho, eu sei muito bem onde quero chegar e não é pra onde aquele caminho leva.” – Tirei minhas próteses bruscamente. – “ E eu não preciso mais delas. São falsas, são de ferro e plástico. Me machucam, nunca precisei delas. Antes com meu vazio real do que com essa falsa sensação de ter as pernas de volta.”

“Quando a corrida começar, ninguém poderá te ajudar.” – Ele ainda tentou me convencer, com uma voz cortez, ao me olhar no chão, apoiada com os braços, a cabeça pra cima, como se estivesse desafiando-o. Ele me olhava com pena, sabia da injustiça de uma luta entre alguém como eu e alguém como ele. Na verdade, eu também sabia. Mas não mudei minha postura:

“Eu sei. Dê a partida! Eu treinei. Não sou diferente de nenhum deles. “ - Meu olhar era ameaçador. A cena era cômica. Minha cabeça tinha que estar muito inclinada para cima para conseguir olhar nos olhos do homem, que se curvou pouco para baixo. Ele tinha uma postura humilde de autoridade. Eu tinha uma postura um tanto arrogante atípica de simples corredora. Ele desistiu. E assim que ele virou de costas, eu tentei me ajeitar em uma posição de saída. Não tinha a mínina idéia de como faria. Fiquei com medo. Todos os outros corredores estavam concentrados, olhando pra frente. Eu estava bem perto do chão. Pude sentir o cheiro de areia e terra. Apertei um punhado com as mãos. Uma lágrima caiu.

“Preparar!”

Todos se colocaram em posição. Eu tentei e era impossível.

“ Oh, Deus, minhas pernas, minhas pernas. Quero minhas pernas de volta...( Deus?! )”

“Apontar!”

Não tentei me colocar na outra posição que dependia exclusivamente da primeira. Me contentei em olhar pra frente, e só via pés e calcanhares. Estava com o corpo apoiado nos cotovelos.

“ Jáá!” – A voz gritou. E imediatamente todos começaram a correr e alguma poeira se formou, me fazendo tossir. As pernas se distanciavam rapidamente. Eu tentava correr apoiada nos braços. E eu contava como tinham me ensinado: “um, dois, três passos. Quatro, cinco, seis passos. Sete...Oito...” – parei rapidamente, abri e fechei minhas mãos, sujas de terra. “Nove, dez, passos!” Depois do dez, voltava pro um e assim eu continuava. As pernas já tinham sumido do meu campo de visão. Eu focalizava no meu objetivo invisível e ia. Eu não me perderia. Eu sabia onde queria chegar. Ficou difícil continuar com as mãos, apoiei os cotovelos, estava mais lento, mas continuei. Aproveitei para limpar as mãos no meu cabelo, era fácil de fazer enquanto rastejava. “Um, dois, três passos! Quatro...Cinco... seis passos! Sete... Oito...” Meus cotovelos falharam, caí de cara no chão. Terra na boca. Um pouco de sangue. ‘Levantei’ devagar. Cuspi. Limpei a boca com as mãos meio sujas. Olhei em volta e estava sozinha. Exceto pelo público da corrida. Eles me olhavam. Cochichavam. Tive ódio deles. Estava rodeada dessa gente que já participou de corridas e agora cuida de quem vai participar. Era o público e os outros treinadores. Olhei para trás e estavam os meus treinadores. E eu odiava cada um deles. O ódio foi bom, porque me deu ânimo para voltar a me rastejar. Mas quando tentei, depois de outros vinte passos, torci meu pulso.

“Não vou desistir.”

Dei poucos outros passos depois disso. Fiquei praticamente parada. Estou parada. A terra está mais próxima de mim. Ela fica quente a noite. E eu deito pra ver as estrelas.

Então agora, vocês sabem qual a sensação de ver todo mundo ir e você ficar? Não ficar porque quer, mas porque suas condições te impedem? Vocês sabem a sensação de um passo a cada 5 minutos , quando se está em uma corrida?

Vocês sabem a solidão que é, ver que todos se foram e nenhum deixou uma palavra de apoio, nenhum tentou te levantar?

Eu fiquei na companhia do público, que cochicha minha derrota.

Que aposta na minha fraqueza.

Fiquei com a decepção vinda do olhar dos meus treinadores.

Fiquei até sem lágrimas.

Fiquei eu. Eu e minha dolorosa ausência de pernas.

What do you see(feel)?

Quero dizer, é essa coisa que me incomoda. Essa coisa de não saber se se está viva ou não. Quem me garante? Meus sentidos não. Você? Também não. Você pode muito bem ser coisa da minha cabeça ou eu ser coisa da sua.Tudo o que existe pode ser apenas pensado e sentido, mas pode ser nunca existido.
Freqüentemente me encontro numa moleza, numa leveza, num peso, uma coisa estranha, parece que minha pressão tem ficado baixa o tempo todo ou parece que estou numa grande ressaca. Sinto mesmo como se tudo fosse sonho. Tudo é aéreo, como vulto, como se nada fosse tocavel, como se eu não fosse nada mais que uma sombra, um reflexo. Aí é difícil levantar um braço, sorrir, ter reações exageradas ou até mesmo reações normais, como se 'importar' com certas coisas/pessoas.
Quando eu vou dormir, normalmente, fico imaginando os sonhos que gostaria de ter. Mas sonhar me tem sido fonte de grande aborrecimento/frustração. Quando sonho e estou dentro do sonho, aquilo pra mim é realidade. E acordar sem perceber pasma, e em pouco segundos a memória se esvai. O que me irrita é: estar em um sonho e confundi-lo com realidade. Queria ter os chamados 'sonhos lúcidos' onde tudo se controla, tudo se pode. Meus sonhos são muito de acordo com a realidade ( pelo menos ultimamente tem sido assim), minhas reações, minhas ações, eu só faço o que é POSSÍVEL e considero isso uma perda de tempo, uma vez que no sonho não existe o impossível. É um limite burro e inútil. Cérebro idiota. "Como quando depois de um longo dia de trabalho, sabe, aquele dia comprido as horas se arrastando, os clientes chatos, você doido pra chegar em casa e então finalmente você chega em casa, come alguma coisa, toma um banho e vai dormir...E quando você deita a cabeça no travesseiro... você acorda com o despertador. É hora de ir pro trabalho." Tá vendo? Tão revoltante... Ou quando você sonha com aquela coisa que nunca vai acontecer e de repente você sente que ela pode acontecer, mas pensa: não, isso é impossível...' só pra em seguida acordar e perceber que você perdeu a oportunidade de sentir aquilo pelo menos em sonho.
Sonhos. Bleh.
Dá desespero pensar que posso estar em um e não tô sabendo fazer o impossível.
Mas principalmente...
E não tô sabendo despertar.
(Posso já ter morrido e não sei).

Uma mente conturbada pelo desejo de dizer verdades.

Alguém sabe onde tem um pouquinho de vida de verdade?
(observe que não disse vida real).

Que coisa, esses textos chatos. Cheios de confissões, de pedidos. As palavras se arrastam em longas melodias melosas. Odeio gente que fala baixo, em tom de 'pedição'. Odeio quem me suplica coisas. Não desesperadamente, mas tristemente. Odeio quem pede desculpas sem precisar. Odeio gente religiosa. Odeio minha miopia. Odeio meu nariz. Odeio minha cara torta.
É por isso que não dispenso maquiagem. Odeio minhas pernas grossas e meu jeito feio de andar.
É por isso que não dispenso salto. Viu, tá falado. Não dói tanto assim. Se pudesse colocaria silicone. E faria lipo. É, É. Não sou um exemplo supremo de simplicidade e naturalidade. Eu natural não me aguento. Eu natural sou artificial. Eu natural tenho 55 anos. Outra coisa, a sua naturalidade também não me agrada. Não que eu inveje, muito contrário. É que sua naturalidade me soa cínica.
Confesso que teve uma vez que eu disse uma coisa, e acabei fazendo outra. Além da coisa que eu disse que ia fazer, havia duas outras opções. Uma não tão boa e uma pior. A pessoa a quem isso diz respeito acha que fiz a não tão boa. Essa pessoa não confia mais em mim. Mas ela não sabe a verdade. A verdade é que cometi não um ato não-tão-bom. Eu cometi o pior ato. Uma infâmia. Uma vergonha. Confesso. Sem piedade de mim, sem querer pedir desculpas. Eu confesso. Só para confessar.
Outra verdade. Te quero porque você não me quis mais. Coisa de garota mimada. Passa, como tudo.
Confesso que você é chato e eu só falo com você quando me interessa.
Confesso que eu sei que você é morta por dentro.
Confesso que te acho feio. Muito feio.
E quanto à você? Você é pegajoso.
Prefiro mulher do que homem na maioria dos casos.
Não gosto de sexo.
Odeio Pânico e seus modismos e o Multishow e suas propagandas pseudo-surreais.
Também não gosto de palavras como maxixe, shimbalaiê e sambalelê. Odeio artesanato - a maioria deles. Odeio veludo.
Ah! Quase me esqueci. Detesto a cultura brasileira. Assim como detesto coisas americana e européia demais. Detesto coisa de índio, menos o modo como eles vivem. Detesto sertão. Não gostei de 'olhai os lírios do campo' nem de Harry Potter, nem de Senhor dos Anéis, nem de Stephen King. Odeio as bandas atuais brasileiras. Tenho ânsia de vômito quando penso em Ivete Sangalo, Claudia Leite e Big Brother. Não ouço forró/pagode/samba/axé e nem adianta que eu NÃO SEI os funks que estão fazendo sucesso. Também nem vem com papinho pra cima de mim sobre Black Sabatth (sei lá como escreve isso), Nirvana, Cannibal Corpse, Nx Zero, Restart e Strike. Não ouço reagge também. Só gosto daquela música: 'don't worry..about the things...'
SÓ.
Confesso que não gosto de São Paulo. Confesso que às vezes, de noite, tenho medo de ficar sozinha. Confesso que nunca quis ser mãe. Confesso que acho mulher-grávida a decadência de humanidade. Confesso que sou a favor do aborto nas primeiras 4 semanas. Confesso que amo meu filho mais do que a todos. Confesso que, atualmente, só sou vegetariana de vez enquando.

É por isso que você vem sempre aqui? Para saber o mais íntimo de minhas fraquezas?
Boa tática.
...
Mas nada disso faz quem eu sou. A essência você não é capaz de captar.
Uau.
Pela primeira vez nesse blog, escrevi uma frase e apaguei tudo assim que reli.
Fica registrado aqui.
Essa frase você não terá. Você não tem idéia do que pode ser.
E não, não é isso que você tá pensando.
Essa frase é minha. E morrerá comigo.
Chega de confissões.
Boa noite.

Who I am.

Nunca tenho a visão exata das coisas.
Jamais saberia descrever como gostaria minha infância.
O que foi minha infância, afinal?
Parece que não lembro mais, como se eu não tivesse passado.
E meu futuro?
Que futuro?
O futuro nunca chega, tenho certeza que não tenho futuro.
Não consigo me imaginar no futuro.
A vida me tem sido um eu passando pela vida, como que de fora.
Como se eu nunca tivesse sido criança, como se eu nunca pudesse vir a ser adulta.
Como se eu fosse um eu que nunca mudou e nunca cresceu.
Como se fosse uma pedra na vida.
Sem mudanças, sem memórias.

Fakes

Acontece que a coisa mais fácil que tem, é ficar por ficar, beijar por beijar, conversar por conversar.
É fácil, é prático, é indolor e divertidíssimo.
Mas se é difícil, se dói, se toca no fundo, se arrepia os pêlos, se afoga...
Não, obrigada.
Prolongar-se nisso que chamamos de dolorosa intensidade é proibido para quem um dia já sentiu demais.
É a cara dessas pessoas que hoje têm medo do amor porque não encontraram uma explicação racional para ele.
É a cara dos românticos, dos sensíveis que hoje se escondem por trás de uma casca de metal, regada à insegurança e covardia.
Querer morrer todo mundo quer, mas ninguém sente que pode.
Morrer de amor ninguém morre, e isso ninguém aguenta.
Morrer de dor também. Ninguém morre de dor.
E o remédio?
Ah, o remédio se torna essas fáceis conquistas, esses agradáveis e risonhos encontros, esse joguinho ridículo onde ninguém é o que realmente é, ninguém faz o que realmente gostaria.
Por mais que se iludam.. E eu sei, acreditem, vivem se iludindo...Contam mentiras para si mesmos todos os dias e acreditam.
É mais fácil assim.
É mais imprevisível assim.
É mais drama assim.
Não dói assim.

Minha tempestade

Dentro de mim existem turbilhões de pensamentos para serem ditos, existem mil sentimentos para serem descritos e existe uma necessidade tão grande de ser compreendida. Existe também um amor (amor?) , um amor diferente sendo formado, um amor diferente sendo guardado - um amor pela vida, um amor... Mas, ainda dentro de mim, vejo nuvens, neblina, vejo chuva, e apesar do meu sorriso, não quero me livrar dessa tempestade, dessa escuridão que me habita. Porque me habita, porque é e sempre será minha, e jamais saberia viver sem a água e sem o vento.

Coração

É como a solidão imensurável e secreta existente dentro de cada ser humano.
A diversão existe. Os outros existem. Festas e músicas e namoros também existem. E vivemos.
Mas o que eu digo é aquilo, aquilo que não pode ser mencionado e que sigilosamente guardamos.
Por talvez medo, medo da condenação do fogo. Da fogueira.
É aquele segredo que todos sabem - mas ninguém ousa dizer.
E me vive. Ainda.
E me destrói o tempo todo, mas nunca cai de vez.

Pedido às mulheres escritoras.

Vão me desculpar mas não sou cheia dessa certeza que vocês têm,
nem preciso parecer decidida e levemente humorada para ser mulher moderna.

Também não gosto de falar sobre tudo, me desagrada profundamente ficar dizendo coisas meramente femininas pseudo-dramaticoparanóicas (sempre com aquele toque leve de humor, de quem sabe que está dizendo algo pelo qual todas as mulheres passam).

Não me limito a fazer de meus relacionamentos com o sexo oposto meu maior drama, muito menos minha melhor história. Existem coisas na vida que vão além de drama, sexo, homem, pé-na-bunda e saudade. Existem mais comparações a serem feitas - que vão além de celulite e maquiagem borrada. Existem coisas mais importantes para se preocupar do que ficar pagando paixão para fulano ou ficar tentando sair por cima da carne seca toda vez que é deixada ou traída.

Alou, escritoras contemporâneas! Somos mulheres, e a moda hoje está tão vasta que só usa sutiã desconfortável quem quer. E esse papo de texto tijolo, frasesinhas que começam desesperadas e terminam com uma mensagem de otimismo, já passaram do ponto.
Oi minhas queridas amigas, irmãs, vocês estão mesmo aí? É só isso que há por baixo de seus panos?

Tá na hora de inovar, minha gente... Ou vocês querem que olhem para nós lá do futuro e nos definam:
'A mulher do início do novo milênio era dramática, decidida, descolada, romântica e otimista.' ?

Ohhhhh, jura? Que grande coisa, não?
Por favor, vamos inovar meninas, vamos inovar...

Uma de 50 anos atrás, não dá 100 de nós.
E olha que quase nenhum tipo de liberdade elas tinham.

Estúpido

Aquele dia você veio e disse coisas tão legais e finalizou com algo tão estúpido, mas tão estúpido, que toda aquela admiração que eu tinha pelo seu jeito de pensar evaporou. Não desmoronou, nem se quebrou, nem nada do tipo: evaporou. Rápido, fácil, indolor. Imperceptível. Mas talvez tenha formado algumas nuvens de chuva. E eu nem vou dizer mais nada porque ficaria longo demais, os argumentos contra são infinitos, e gostaria de dizer pessoalmente ou em um outro post. Mas o que ficou claro é: você é tão estúpido quanto os radicais. e tão ignorante quanto, também. Você ignora o corpo e a terra. Para você, a matéria não é suficiente. Estúpido, estúpido. Que apodreça na sua própria incapacidade.

E não aprendo.

Eu saio para festas e me deparo com solidão e futilidades. Muitos sorrisos, muitas conversas, muita cerveja, muita gente e muita música. Muito, muito, muita, muito tudo. Pouco, pouco, pouco... Nada. Observo e o que me vem na cabeça é que todos estão vivendo o seu carnaval particular. Todos com suas máscaras, jurando ser o que aparentam. Todos querendo parecer discretos, centrados, interessantes, bonitos, alegres, dançantes, risonhos. Mal sabem eles que isso é cúmulo do meu desinteresse.

Ainda sobre Deus.

É difícil falar de Deus, falar de deuses...ainda mais pra alguém como eu.
Quero dizer, uma conversa sobre Deus pode ser tão vaga quanto certas conversas minhas têm sido ultimamente. E não adianta, cada um analisa sobre sua própria ótica (ou não). Então, deus nunca poderá ser um só. Ou talvez.. Ele seja um só, de tanto que o dividem o tempo todo.
Na verdade, eu só queria dizer que cheguei a uma conclusão sobre o deus. Não, na verdade mesmo, cheguei a uma metáfora que se encaixa no deus.
(Será que com isso vou passar a amar o deus? Uma vez eu li que metáforas são perigosas. O amor pode nascer de uma metáfora).
Deus é como o espelho. E o mistério de Deus é o mesmo que o mistério do espelho.
O espelho é de um tal mistério que me assusta:
Uma vez, eu parei em frente ao espelho e tentei ver somente o espelho. Alguma pista de como o espelho seria se não houvesse o que ser refletido, mas foi inútil. Só deparei com os objetos e o cenário refletidos.
Então eu me preocupei em observar os objetos o cenário que o espelho refletia. Observei-os por tanto tempo que acreditei que eles eram tão reais quanto eu, ali refletida: uma outra de mim. Em um impulso um tanto ignorante, tentei tocar um dos objetos que o espelho refletia.
Bum! Fiquei surpresa ao ver que não conseguia tocar o objeto, tão real...! Deparei com o espelho de novo e que no entanto, não queria se mostrar pra mim momentos antes.
Esse é o mistério das coisas.
Seria isto Deus?

Só o Nada é infinto!


Você pode ser fascinado por mim. Mas que fique claro: você não é fascinado por nada.
E sabe por quê? Porque sou o nada.
Sou aquela que será sempre metade do que é.
(Hoje mesmo, e todas as vezes que nos encontramos, eu não tenho sido nada do que sou).
Sou aquela que faz e desfaz planos, que segue e abomina ideologias, que pensa e age sem pensar.
- Eu tenho sido o tipo de pessoa que não age o que pensa.-
Sou aquela que sempre bebe mais do que deveria - a que sempre passa do ponto, a que faz as pessoas dizerem: "Menos, menos..." E depois suplicarem: "Menos, por favor, menos..."
As pessoas me bebem, mas como sou bebida orgânica, substância inteligente... É quando as pessoas me vomitam. Talvez por ter sido doce demais, talvez por ter sido demais em pouco tempo.
Também sou aquela pessoa de quem ninguém absorve nada. Sou uma pedra, sou os três pontinhos, sou o castigo do silêncio - porque eu também sei usar o silêncio.
Sou a pessoa que esconde os medos com gentilezas. Porque de alguma forma, quando se é gentil os outros esquecem o resto.
Sou a pessoa que esconde a raiva com um sorriso educado nas horas certas.
Está vendo pelo o que você é fascinado?
Quero ficar sozinha, me deixem sozinha!
Se eu não posso ter minha liberdade, me deixem ao menos ter minha privacidade.
Eu sou, eu sou, eu sou, eu sou...
Que mentira! Não sou, não sou, não sou!
Para ser, é preciso força e eu só tenho uma colérica paciência.
Posso dizer mil coisas, posso ter mil teorias, posso te beijar, te morder, posso dizer que te adoro, posso dizer que não quero te ver, posso dizer pra você não vir, posso ficar em silêncio...
No final, eu não passo disto:







(um nada infinito)

Oração

Desde então ela tem medo de dormir porque não suporta pensar no que pensa, não aguenta mais os sonhos estranhos e além de ter medo do amanhã, tem a constante sensação do dia, que já está quase se consolidando em outro, não ter sido dia - talvez muito menos do que isso: ela tem a constante sensação do dia ter sido totalmente vazio de experiências e significados. Uma vez, ela lembra que rezou:'Meu deus, faça com que eu consiga ficar com o Nada e mesmo assim me sentir plena de tudo." Mas o deus dela não conseguiu fazer com que ela tivesse esse estado de plenitude. Ele apenas continuou dando o Nada e o Vazio para a garota a cada dia, para que ela aprendesse a se sentir plena de tudo. O deus tem dessas coisas. Mas a garota não entendia isso e na sua confortável ignorância, concluiu: deus não ouve. só há o Nada. Não há deus

Pois sou criança.

Erro meu, erro meu, toda vez é erro meu. Porque eu não sei ainda sentir as coisas leves, não sei ainda sentir as coisas passageiras. Descobri que não gosto do que é claramente passageiro. Sou das que precisa de garantias. Mas ultimamente, falta-me sentir as garantias. A vida tornou-se um amontoado de fases sem sentido, de lembranças, de um futuro tão incerto e de um presente tão fútil. Porque tudo é passageiro. Como confiar no que sinto? Não confio mais. Então é erro meu, porque estou no automático há muito tempo e estar no automático me impede de sentir, de entrar em contato, de tocar. Até mesmo a mim!, até mesmo a mim...estou tão intocável por mim mesma... Quem dirá os outros! Talvez esteja me perdendo dentro de mim, talvez esteja me afogando no lago de minhas lágrimas nostálgicas. Mas vou aceitar isso: a morte da vida e a minha própria morte. A morte dos outros. A morte dos sonhos. A morte do Eterno. Morreu... Mas a vida continua. Para que a vida continue.

Etapas.

Primeiro eu fiquei feliz quando percebi que não tinha a tal eternidade da qual tanto se falava e pregava. A Eternidade que tem, é a outra...
Agora estou na fase do desapontamento. E o pensamento de 'então-nada-vale-à -pena' predomina.
Sou uma pessoa repetitiva e cansativa. A vida me engole. Não tenho forças contra ela.
Mas eu já sei por que. É porque lutar contra a vida é perda de tempo. A gente tem que ir junto com ela.

Me diz.

Então me diz então, já que você me diz tantas coisas, me diz, meu deus...
Me dê força, porque no entanto estou tão viva hoje e no entanto continuo sem saber o que fazer com o viver.
Me dê coragem - aquela coragem do sonâmbulo que simplesmente vai e no entanto sabe pra onde está indo e no entanto, ele está indo para o desconhecido real. Então me dê a coragem porque é feio não ter coragem e eu não gosto de não ter coragem.
Então me diz, me diz... Me fala alguma coisa, só para as coisas ficarem mais suportáveis. Você me deu a esperança, mas nem mulher ainda sou! Irresponsabilidade sua.
Não sou mulher, na verdade, sou tantas em tão pouco tempo e isso sempre me deixa tonta.. Isso tem me deixado tonta. Tonta com a vida. Tonta comigo mesma. Tonta com você. É, com você.
Tá vendo o que deu a irresponsabilidade sua?
Ah, só mais uma coisa...
Me ajuda também...Porque estou tendo a tentação de me afastar das pessoas. Faça com que eu veja as pessoas de uma maneira diferente, porque, você, você sabe, você sempre soube, eu as amo.
Espero há anos que você diga alguma coisa, e no entanto, você nunca disse e no entanto eu estou aqui pra te escutar.
Então não vou dizer amém, no entanto.
Não, eu não sou inteligente.
Eu leio muito, mas só leio o que gosto.
Notícias? Nem pensar.
Também não sou boa com números.. E detesto decorar.
Mas adoro História e Filosofia.
Porque não é bem uma questão de decorar, mas sim de entender... de entrar em contato, de saber.
E mesmo quando escrevo, não uso palavras mais difíceis porque estas não me vêm naturalmente.
Prefiro ser assim...
Sem esforço.
Deixa ser.
Me deixo escrever.
Mas não uso a inteligência.
Como Clarice, uso a intuição e a emoção.

Para você, que insiste em ficar.

Você já me dá ódio mortal. Você é desleixado. Você fala demais. E você pensa em dinheiro e sexo 24h por dia. Você não me ouve. E você é uma das pessoas mais convencidas que eu conheço. Você é cheio de respostas prontas, rápidas e fixas. Você é cheio de experiências. Você faz negócios. E você não possui um pingo de romantismo, nem um pingo de delicadeza. E sim, você é terrivelmente sincero. Tão sincero que não estou acostumada à essa sua sinceridade descarada e me assusto, e acho absurdo. Você também é responsável. Nossa, responsável demais. Tão responsável que chega dá raiva. Você me dá ódio mortal.
Cuidado a próxima vez que encontrar comigo. Sou capaz de bater no seu nariz com cacos de vidros, até que você fique desfigurado. Logo você, que tem um nariz tão reto, tão de homem. Logo você, que recentemente mudou o olhar. Logo você, que têm rido atoa, que tem ficado cheio de gemidos. E logo você, meu querido, que pede desculpas, que não desgruda, que dá satisfação, que morre de tesão. E por mim você vai mesmo é morrer: adoro não te dar o que você tanto quer.
Adoro quando você fala demais, se você fosse mais como eu, ficaríamos constrangidos de tanto silêncio. Adoro o modo como você me pega de jeito, se você fosse mais eu, não haveria tanta força. Adoro quando você se acha demais, me dá a segurança de pensar: mas você não é tudo isso, não... E adoro quando traz bombons, mas se você mais como eu, se você ouvisse o pouco que te digo, traria Serenata de Amor Light. E adorei muito quando você disse:' eu só vou dizer que te amo daqui a 5 anos, tá? porque aí pode ser verdade.' Adorei porque você pensou que eu não gostei de ouvir, você ainda está achando que sou como as outras, mas mal sabe você na sua ignorância de homem másculo, que você me ganhou por mais uns meses - só por causa dessa frase.
Mas hoje, eu juro, se você aparecer aqui, se você me ligar...Se eu sentir seu cheiro por perto... Se eu ouvir a sua voz, se eu sentir suas mãos em mim, eu juro, eu juro, eu te soco na cara com uma garrafa de vidro.

Humildade

Um dia a gente escreve:

Viver é um luxo.

No outro, já quero dizer:

Morrer é um luxo.

Já dizia a bisa Madalena com voz de ovelhinha, que mora na esquina:

Que isso, minha filha! Vê se posso me dar o luxo de morrer- ela fala rindo, aquele riso baixinho 'hihihi', meio envergonhado -...Imagine só se eu morro! Isso é só pra quem pode, eu não posso me dar a esse luxo, não... Imagine, imagine... - E aí ela a apóia levemente a mão esquerda na bochecha, enquanto enquanto 'faz que não' com a cabeça, olhando para o chão, com um sorriso brilhante de nostalgia - Não posso morrer, não, minha filha. Isso é pra gente jovem ou pra gente rica, não pra uma senhora como eu...

A bisa Madalena tem 98 anos.

Da incapacidade

As pessoas me perguntam por que estou tão calada.
As pessoas se preocupam, dizem que não estou bem, que deve haver algum problema...
"Mas o que é que há por trás disso?"
E eu digo, nada. Só estou calada.
As pessoas não se conformam. As pessoas falam e falam e esperam que eu responda.
Responder o quê? - eu pergunto.
As pessoas continuam se preocupando. E começam palpites.
Acham que ainda gosto do fulano de tal. Acham que estou com depressão.
Acham que sou estranha. Acham que briguei com alguém.
Eu não brigo, não, gente...
"Mas o que há por trás disso?"
E eu digo, nada. Só estou calada.
As pessoas não se conformam. Mas são incapazes de notar algo simples.
Meu Silêncio é simples.
Meu olhar para o Nada é o que posso externar do que Sou.
"Mas o que há por trás disso?"
Não há nada, há o Nada.


Uma vez eu disse que quando não tenho certeza de algo, prefiro ficar quieta.
Isso deve explicar.
Só há o Nada, não me sinto digna de falar sobre Tudo.

Mergulho Abismal.

O desespero maior de um homem é quando ele não pode aguentar o passado, não consegue viver o presente e tem medo do futuro.
O passado me traz nostalgia demais e dói... Dói tanto que trocaria o presente e o futuro só pelo passado.
O tempo é realmente assustador.
Cada vez que avançamos no tempo, mais distantes ficamos dos anos e das pessoas mais queridas.
Eu não quero envelhecer.
Mas estou envelhecendo.
Tenho medo.
Acho que que não aguentaria. Morreria de angustias dentro da minha própria nostalgia.
A morte estaria me fazendo um favor se viesse antes que o normal.
Mas não tão antes!
Talvez meia década, no máximo.
Não que eu não ame a Vida. Eu amo.
Eu acho viver tão humano e único.
Mas é que, como sabem, a vida em sua medida exagerada amarga no fim.
E eu quero tê-la doce para sempre.

Meu amor, hoje o céu está tão lindo.

As vezes o céu azul nos confirma
que a vida lá fora pode ser linda e brilhante e radiante e colorida.
As vezes o céu nos convida:
vamos brincar de viver! A vida é bela!
As vezes o céu azul nos destrói,
e hoje eu olhei para o céu tão Intenso lá fora e ele me destruiu tão rápido que não quero mais olhar pra ele nunca mais.
Ele me assustou, prefiro ficar com a falta de intensidade
das minhas quatro paredes.
Ainda não estou preparada para o Intenso.
Preciso que alguém me dê a mão antes.

Doce

Ela não tinha angústia nenhuma de ser. Ela estava sentada no corredor, sem vergonha nenhuma por estar sentada sozinha no corredor. Ela era conhecida como a menina sem-sal, muito mais ou menos da escola. Estava sempre com as lições em dia, nunca tirara um 'vermelho'. Tinha um sorriso doce e uma voz baixa. Nunca gritava. Havia o grito, mas ela nunca gritara. Havia as amigas que nem sempre estavam presentes - eram ansiosas demais. Não conseguiam ficar paradas, esperando e ela, ela na sua candura um tanto promíscua (porque sim, toda pessoa que é cândida é tão promíscua quanto os luxuriosos), ela, ela só sabia esperar. Esperar pelo o quê? Não, ela não se indagava. Nunca se indagou de nada, pois se sentia plena. Ela era infeliz, mas pensava ser feliz porque nunca parara para pensar no que é felicidade. As pessoas pareciam felizes, em tudo quanto é lugar as pessoas sempre pareciam felizes, então ela era também. Seu pensamento era de uma simplicidade grande que chegava a ser bonito. Era raso. Tudo era raso nela. Ela só sabia ler as superfícies e talvez por isso parecesse tão profunda e misteriosa. As surperfícies, se você resolver ficar só com elas, a princípio, parecerão simples...Mas a longo prazo se tornam confusas demais e passam a não fazer muito sentido. Diante disso, a garota não entendia bem o mundo e mundo não parecia compreendê-la, mas isso não era doloroso porque a garota não tentava compreender o mundo assim como o mundo não tentava compreender a garota. Ambos vivam indiferentes. Isso parece triste. Mas para a garota não tem tristeza.

Ser só

O Humano é só.
Tão só que não há humano nesta terra miserável que consiga alcançar o outro, mesmo que queria. Mesmo que o outro queira.
Mesmo que tudo seja banhado de boa vontade e de amor, o Humano permanece só... É a constante da vida dos seres: a Solidão imensurável.
O Homem vem da Solidão, na Solidão ele vive - mesmo que não perceba - e para a Solidão ele retorna inevitavelmente.
E mesmo que agora existam milhares tentando se apossar do Eu do outro, isso é batalha perdida.
Mas, veja bem, não digo solidão. Digo Solidão.
solidão é fácil de perceber, de sentir e de dizer pro outro. solidão acontece porque você quer um namorado(a), porque você está numa festa e queria aquele alguém que não está, estivesse lá...porque brigou com sua melhor amiga...porque seus pais não te entendem. isso, isso é solidão. solidão é dizer: eu preciso, eu preciso!!! eu não aguento ficar sem, eu preciso!!!
Mas Solidão é difícil de se perceber e de se admitir. É como se fosse lepra.
Não que Solidão seja algo ruim, não é. Mas é inevitável. Só isso.
É a condição natural do seres e está tão presente em todos nós que poucos a vêem de forma verdadeira.
Solidão é não precisar, e mesmo assim, talvez, querer.
A Solidão torna todos os Seres humanos. Humaniza a Divindade, humaniza e Animalidade.
, então ele continuou seu caminho sozinho e pensando no vazio e na solidão que é o que chamamos de vida. Mesmo após ter tido a moça, o vazio continuava. Mas era óbvio que continuaria: o Vazio da Alma não pode ser preenchido por pessoas e relações humanas ou não-humanas. O Vazio da Alma fica na Alma exatamente para lá continuar. Ele gostaria tanto de preencher esse Vazio que o acompanhava por anos, logo depois que deixou de ser criança. Quando a possuía era essa a verdadeira intenção. Mas nunca chegou perto de se sentir completo. Secretamente, ela também nunca se sentiu completa, mas jamais diria. O amava. Ele era frio quando queria, rude quando julgava necessário, era livre: mas era escravo. Escravo de si mesmo, de sua moralidade. Ele era um homem moral, mas também jamais reconheceria isso. Ela sabia que ele era. E só saber, naquela época, bastava. Nada precisava ser dito.
Chegaria o momento que ele teria que decidir se continuaria ou não vendo a moça. A moça o amava, mas nunca lhe dera nada, apenas seu corpo que era única coisa de si que possuía. Ela não tinha mais nada além do amor intangível e do corpo. Ele estava cansado desse jogo. O corpo, em algum momento, o corpo já fora todo descoberto. O corpo possui limites. Estava cansado do corpo da moça e do olhar incompreensível que ela o lançava quase que a todo instante. A relação dos dois era confusa, pesada. Pesada por não possuir nenhum peso. Eram livres ainda e leves por isso. Mas a incompreensão por falta de palavras, por falta de convivência talvez , fazia da íntima relação quase uma formalidade. Ele estava cansado da estranha na cama. Ela estava cansada de tentar agradar um homem que mal conhecia. A relação era profunda, intensa, mas talvez estivesse se desgastando a cada tentativa inutil de recuperarem algo que nunca tiveram.
Eles tiveram uma noite agradável. Tinham assunto que não acabava mais, eram ótimos amigos.
Antes de entrar no carro - porque, sim, ela tinha que ir embora cedo - eles pararam para fumar alguma coisa. Ele olhou para ela, e puxou um trago longo:
- Você pode contar comigo para o que for. Eu vou sempre estar aqui.. Mas não sou seu amigo.
- Não? - Disse ela, sentindo-se ofendida e confusa com o que ele tinha dito.
- Não. Você é parte de mim.

Depois disso, ela exigiu a amizade. Ele se recusou a aceitá-la, e nunca mais foram próximos.
Ela sentia falta.
Ele morria por dentro de tanta dor.

Questão de Ser e alma.

O ateu me pergunta o que entendo como 'coisas interiores'.
Eu respondo que 'coisas interiores' são o que a gente É.
Aí ele me pergunta o que a gente É.
Fiquei muito tempo pensando nisso. Pensando nessa questão de Ser.
E cheguei a uma resposta que até o momento parece satisfatória:
É engraçado como muita gente diz seguramente:
Eu sou engraçado.
Eu sou inteligente.
Eu sou animada.
Eu sou sincera.
Eu sou bonita.
Eu sou mãe.
Eu sou indiferente.

Existem milhões de 'eu sou...' para cada um de nós. Desse modo, seria fácil definir Ser. Mas não é desse Ser que eu quero me apossar. Esse tipo de ser na maioria das vezes, é facilmente posto à prova, e deve ser escrito sempre com letra minúscula.
Só deveria se permitir dizer eu SOU: engraçado - se mesmo diante da vivência da situação mais triste, você fosse capaz de rir verdadeiramente.
inteligente - se mesmo se não houvesse livros, se não houvesse letras ou números, mesmo se não houvesse escolas e universidade, mesmo se não houvesse professores ou mestres, você fosse capaz de aprender e elaborar teorias.
sincera - se mesmo diante da pior verdade a ser dita para pessoa mais dificil de dizer, você fosse sincera.
mãe - se mesmo se seu filho jamais existisse, você continuasse sendo mãe.
indiferente - se você fosse capaz de ser indiferente com tudo desde sempre, não só aparentemente e não a partir de certas experiências de vida.

Seguindo esse raciocínio, pergunta-se: quem eu sou? E pouco a pouco, descobre-se que nada se É. E tenta-se chegar naquilo que realmente É. Muitos já me disseram 'ei, descobri o que sou! e sou isso e isso e isso.' Mas não é bem assim. Entendam! Para chegar ao Ser exige muito tempo, cautela, observação intensa e experiências extremas que provem alguma coisa. Sem isso, nada de certo pode ser dito.

O Ser é invisível. Existe, é tocável, apesar de não podermos ver. Está ali, está aqui. Mas como descobrir e como dar adjetivos para algo invisível que não seja 'invisível'? É só se aproximando com cuidado da coisa que ela não escapa, que não caímos no erro.

O Ser é também o que chamo de alma. Por isso acredito em alma.

Por isso decidi pra mim algo que me ajude a encontrar meu Ser. Eu não quero passar pela Vida sendo algo que na verdade não sou. Sendo algo poroso. Sendo uma invenção do século XX, XXI, ou sejá lá qual século. Quero passar pela Vida sabendo que Sou. E morrer sabendo, em paz.

18 anos

Quando eu era nova, eu tinha certezas para as minhas perguntas sem respostas.
E acreditava que com 18 anos, tudo seria claro e fácil de digerir, como água.
Hoje, com 18 anos, posso dizer que sou uma pessoa que pensa.
Não que isso seja últil, mas é uma característica.
Mas hoje, não tenho certezas. Desconfio até se o céu é mesmo azul.
Desconfio de quem sou. Sou uma fraude?
Desconfio dos outros. Não confio. Eles são cheios de certezas e conceitos, sorrisos e festas, vestibular e bares. Como posso eu, me mostrar a algum deles?
Desde sempre visto a minha máscara e desde então, respiro fundo e lá estou eu. Com eles. Como se fosse eles.
Meu mundo é de incertezas e livros e música. Meu mundo é subjetivo.
No meu mundo tudo está morto.
Matei Deus, matei o Certo, matei o Amor.
Meu mundo é esse: Cheio de mortos e mortos-vivos - para que eu possa me sentir viva de verdade.
Mas no meu mundo irreal de 18 anos Deus está vivo, Nietzsche está morto, Clarice está morta e as pessoas são incapazes de imaginar a Vida sem dinheiro. Não sei, sabe? Não me sinto muito bem aqui.
Nesse meu mundo irreal de 18 anos, minhas incertezas não valem nada. São vistas como fraqueza.
No meu mundo real, minhas incertezas são minha fortaleza e eu tenho quantos anos eu quiser ter.

Devaneio Noturno

Tenho um nó na garganta.
Um estreitamento no peito.
Está frio. E isso é bom.
Me sinto bem nessas tardes de outono que são as mais bonitas de todo o Universo.

é incrível o que a inércia é capaz de fazer.
e incrível o que o Silêncio nos diz. dói tanto...
Então eu escuto música.
A sensação mais horrível que há para o ser humano é saber o que lhe acontecerá nos próximos anos.
Eu sei.
Exatamente. Sei até o que me acontecerá nos próximos dias, principalmente.
Tudo igual.
Tudo igual.
A mesma inércia.
A mesma ausência de sentimentos.
O Nada tem mais significado do que eu perante minha própria vida.
"Dá-me mais vinho, que a vida é nada!"
Talvez seja isso...
Talvez..Eu esteja querendo errado.
Talvez eu esteja querendo fazer algo de algo que só sairá o semelhante ao Nada.

Mas não quero acreditar na minha própria inércia.
Não quero acreditar em mim nesse cenário.
Não quero me ver. O espelho há muito está rachado.
E o cenário e eu lá do outro lado, estamos todos errados e danificados.
Mas aí eu tapo o espelho com um pano preto. E esqueço que ele está ali.
Olho em volta e, teoricamente, o cenário não está danificado. É real.
E eu também, que sou orgânica. Matéria comível. Totalmente real.
Então por quê?
Por que me sinto tão rachada, irreal, como se estivesse presa dentro de um espelho rachado e o cenário fosse intocável?
Por que me sinto intocável por mim mesma?
"Porque estou maior que mim mesma e não me alcanço."
Então, todas as coisas estão maiores também.
Cresceram sem mim. Esses irreais.
Olho por baixo, eu, essa coisa orgânica.
Vejo, mas é tudo sonho.
Sinto falta do tempo que tudo era tão real e eu podia tocar.
Eu estou no mundo. Mas não estou.
Eu penso. Eu sinto. Mas não penso, nem sinto.
Não estou com ninguém.
Estou com pessoas bem longe daqui.
Mas ninguém daqui me tem.
Não sou orgânica.

Dor.

Nós deveríamos parar de sofrer.
Errado?
Impossível?
Ridículo?
Não.
Nós deveríamos parar de sofrer...
Porque quando sofremos, automaticamente nos vitimamos.
O sofrimento vicia.
A tristeza nos embriaga de tal forma que só queremos morrer dela.
E na tristeza, as memórias felizes só sabem doer e doer.
Ao invés de lembrar do passado, ao invés de sofrer com o presente e se sentir perdido no futuro, olhemo-nos.
Ocupemo-nos da difícil tarefa de nos tornarmos nós mesmos.
Para que quando olharem para nós, vejam quem somos e não se enganem.
Para que quando nos olharem, vejam finalmente o que somos... e não o que, por engano, nos tornamos.

O que acontece...É que a felicidade não é nobre.
Na felicidade, tendemos a esquecer o que é tristeza.
E quando esquecemos, parece absurdo pensar que tristeza existe.
E se existe, é porque são imaturos e mimados demais para perceber a felicidade.
Na felicidade, não nos preocupamos devidamente com os outros.
É o mal da felicidade: A beleza de tudo e de nós mesmos.
Vemos beleza em tudo... E ficamos embriagados. Hipnotizados.
Admirados. E esquecemo-nos de todo o resto.
O mal da felicidade é que quando se está feliz...
Só a felicidade importa.
O resto, é resto.

Dor.

Nós deveríamos parar de sofrer.
Errado?
Impossível?
Ridículo?
Não.
Nós deveríamos parar de sofrer...
Porque quando sofremos, automaticamente nos vitimamos.
O sofrimento vicia.
A tristeza nos embriaga de tal forma que só queremos morrer dela.
E na tristeza, as memórias felizes só sabem doer e doer.
Ao invés de lembrar do passado, ao invés de sofrer com o presente e se sentir perdido no futuro, olhemo-nos.
Ocupemo-nos da difícil tarefa de nos tornarmos nós mesmos.
Para que quando olharem para nós, vejam quem somos e não se enganem.
Para que quando nos olharem, vejam finalmente o que somos... e não o que, por engano, nos tornamos.

O que acontece...É que a felicidade não é nobre.
Na felicidade, tendemos a esquecer o que é tristeza.
E quando esquecemos, parece absurdo pensar que tristeza existe.
E se existe, é porque são imaturos e mimados demais para perceber a felicidade.
Na felicidade, não nos preocupamos devidamente com os outros.
É o mal da felicidade: A beleza de tudo e de nós mesmos.
Vemos beleza em tudo... E ficamos embriagados. Hipnotizados.
Admirados. E esquecemo-nos de todo o resto.
O mal da felicidade é que quando se está feliz...
Só a felicidade importa.
O resto, é resto.

Frase.

Não há dinheiro que compre as necessidades da alma.
Não há deus que nos faça esquecer delas.

Se tivesse que te dizer.

"Você pode tirar o melhor ou o pior disso tudo. Eu espero que você tire o melhor."

Tire o melhor, por favor.
Não se torne alguém que disfarça imaturidade com profundidade.

Não se torne alguém que, não importa o preço, quer sair por cima de tudo.
ás vezes, sair por baixo nos ensina a Dignidade.

Não se torne alguém que não sabe ser doce quando outro alguém precisa.
Porque você é frágil. Eu sei que é.
E a sensibilidade é o que nos torna capaz de aprender com os 'piores da vida'.

Não se torne alguém enganável. Mesmo sem se deixar enganar, é possível olhar pra frente.
Olhe pra frente. Mas não busque o horizonte, busque a estrela.

Não se torne alguém que só é capaz de ver onde as coisas começam e terminam.
Seja como o mundo.
Não tenha começo, nem fim.

Não se torne alguém que se prende. Não se prenda, por favor, ao o que você sabe que não vale a pena.
Poucas coisas na vida valem à pena, talvez nem o amor valha.
Não se prenda...Nem ao Amor, nem aos vícios. Ambos matam.

Apenas seja.... e Transforme-se.
Transforme-se o tempo todo...Transforme-se no que é.

Seja.

Eu tenho andando sozinha por essas ruas quando chove.
E a chuva é um dom.
Ela não tem nem começo, nem fim.

Falling for...

Estranhas noites em que não me acabo de chorar, e, ao contrário, meus olhos brilham de tanta vivacidade.
Estranhas noites em que meu toque está leve, tudo está leve. E o peso da noite não vêm, o sono e o cansaço não vêm, o que vêm é essa estranha leveza e calma e sensação de que o mundo poderia estar acabando agora, que nada me tiraria essa embriaguez.
Estranhas noites em que 'o céu faz tudo ficar infinito' e isso é bom.
Estranhas noites em que o único desejo de morrer é aquele que diz respeito a me afogar no teu perfume.
Estranhas noites essas em que piso nas nuvens. 'Nefelibateio' dentro da minha realidade. Não preciso nem fechar os olhos. Posso até sentir minha 'nefelibatação'!
Estranhas as noites em que não quero tocar em muita coisa, não quero nem ver água perto, só para permanecer assim... quente assim, com seu jeito em mim.

Ah, mas o que seria de minha vida sem essas estranhas noites?
Amo essa estranheza, essa coisa meio desajeitada que nós temos.

Por enquanto, amo o que você causa em mim. Mas estou apaixonada por você.
Completamente. Doentiamente. Apesar de aparente controle.

Não desista do meu mistério.

Falling for...

Estranhas noites em que não me acabo de chorar, e, ao contrário, meus olhos brilham de tanta vivacidade.
Estranhas noites em que meu toque está leve, tudo está leve. E o peso da noite não vêm, o sono e o cansaço não vêm, o que vêm é essa estranha leveza e calma e sensação de que o mundo poderia estar acabando agora, que nada me tiraria essa embriaguez.
Estranhas noites em que 'o céu faz tudo ficar infinito' e isso é bom.
Estranhas noites em que o único desejo de morrer é aquele que diz respeito a me afogar no teu perfume.
Estranhas noites essas em que piso nas nuvens. 'Nefelibateio' dentro da minha realidade. Não preciso nem fechar os olhos. Posso até sentir minha 'nefelibatação'!
Estranhas as noites em que não quero tocar em muita coisa, não quero nem ver água perto, só para permanecer assim... quente assim, com seu jeito em mim.

Ah, mas o que seria de minha vida sem essas estranhas noites?
Amo essa estranheza, essa coisa meio desajeitada que nós temos.

Por enquanto, amo o que você causa em mim. Mas estou apaixonada por você.
Completamente. Doentiamente. Apesar de aparente controle.

Não desista do meu mistério.

So wrong...

O Silêncio é o texto mais fácil de se interpretar errado.
E errando fui, por muito tempo, errôneamente acreditando.
E errada estando, o que era Verdade, Conhecimento, nunca foi.
E o que conhecia, nunca conheci.
E do que sabia, na verdade, não sabia. Erros. Enganos.
Culpa minha e da minha falta de sensibilidade e dom para te enxergar?
Talvez.
Talvez não.
Apenas não tenho dom para o seu Silêncio.

Desespero Noturno

Eu ia ouvir música agora.

Mas nãovou.

E sabe por quê?

Porque eu estou pensando em você, e a única música que me lembra você é feliz demais para ser ouvida nesse momento em que a angustia mais uma vez me invade.

Mas não vou me limitar à você.

E sabe por quê?

Porque estar pensando em você e sentindo angustia não significa que a causa dessa angustia seja você. A causa dessa angustia é...

Não sei.

Me sinto tão frágil, meu equilíbrio está tão fraco que até mesmo você – que melhor não poderia ser – está me fazendo mal.

E sabe por quê?

Porque meu coração parece uma gelatina e meu cérebro está mandando aquele alerta de “PARE! PERIGO!”

E agora eu poderia estar mergulhada na história do homem livre do livro que comecei a ler hoje, ou então, poderia ter ido ver a comédia romântica que está passando na globo. Mas não.

E sabe por quê?

Porque eu prefiro ficar aqui, com meu livro no colo e o celular em uma das mãos. Prefiro não ver o que estou digitando e simplesmente ficar nessa minha solidão. E encara-la. E perceber que não tem a quem recorrer.

Eu estava tão acostumada... Tão acostumada a ir 200/h, 110/h... E agora está tudo à 50/h... E alem de eu não estar acostumada à isso, tenho que controlar essa estranheza e não deixa-la passar de apenas estranheza.

Não.

Chega.

As palavras me desmentem. Não era bem isso que queria dizer.

Vou tentar de novo.

Eu queria agora poder me encorujar em um lugar quentinho, e me sentir confortável por dentro e por fora.

Não quero dormir porque o dia não foi dia para mim. Foi um dia inútil, não vivi nada. Se envelhecer de súbito, amanhã, não terei nada para contar. Minha vida tem sido, monotonia, meu deus. Como eu odeio isso. Como me faz mal essa rotina. E pai, oh, meu pai, como ele me destruiu por dentro agora ao me mandar dormir dizendo: ‘vá dormir, porque amanhã começa tudo de novo!’ ...

E só de pensar que manhã realmente vai ser tudo de novo, tudo igual, estresseem dobro. Só me resta escrever.

Escrevo na vã tentativa de me comunicar com alguém e fazer essa alguém me contar, enquanto me encosta sobre o peito, uma metáfora da vida com a estrada.

- Você está chorando? - Ela se aproxima, curiosa.

- Hum? - A garota levanta a cabeça de leve, fitando o chão.

- Por que você está chorando?! - Ela estaca no chão de braços meio abertos.

- ... - A garota continua fitando o chão.

- O que houve? - Ela senta na beira da cama, fazendo carinho nos pés da garota.

- Ei, mãe...Olhe para mim... - A garota levanta os olhos vermelhos e cheios de lágrimas contidas.

- !?!? - A mulher olha a garota sem entender.

- Estou velha. - A garota diz séria, olhando nos olhos da mãe.

- Ah, Jéssica, pelo amor de Deus! - A mulher se levanta impaciente. - Vou te proibir de ler esses livros!

-...Não tem nada a ver com meus livros... - A garota volta a olhar o chão.

- Ah, não!? Então, me explica para que esse drama todo!! Eu vou te contar uma coisa, hein, Jéssica! Você só tem 18 anos! Tem muita vida ainda pela frente! Me dá esse livro aqui...

- ... - A garota esconde o livro entre o corpo e a cama. - Esse livro é feliz... E ele me faz perceber o quanto estou triste ultimamente...

- Você não tem motivo para estar triste! Quem tem sou eu, que convivo com você, e suas bagunças!

- ...

- Por que ela tá chorando?!? - Chega a irmã.

- Ela disse que tá velha! - Acusa a mãe.

- Hahahaha! São esses livros que ela lê! Ela passa tudo pra vida dela!

- O livro é feliz... - A garota olha a irmã, os olhos ainda cheios de lágrimas, o rosto pálido, mas tentando dar um sorriso convincente, mostrando o livro. A irmã pega o livro.

- Clarice Lispector! - A irmã grita, escandalizada.

- Nunca tive saco pra ler... - A mãe comenta com desdém.

- O livro fala de um homem que teve que fugir e agora está por conta própria só vivendo.

- E ele faz o que no final? Corta os pulsos? ahahaha - As duas riem com o comentário da irmã.

- Não cheguei no final...

- Vocês me deêm licença que eu tenho mais o que fazer. - A mãe sai. A irmã joga o livro na cama e sai atrás.

Eu sei que vocês não querem saber, mas os livros que leio não são causa de meu choro. Muito pelo contrário. Eles têm sido minha única fonte de paz ultimamente. Se leio muito talvez seja porque minha realidade está cinza demais, de concreto demais, e talvez eu precise de algumas flores coloridas de vez enquando. Talvez eu precise sentir que tem alguém que me entende. Ou se não entender, preciso de alguém que esteja ali só para ouvir e no final não dizer nada. Só apertar minha mão ou me olhar com um meio sorriso. Só isso. Eu só queria ouvir de vocês: puxa, que legal, você deixou tudo organizado hoje. - ou então: eu te amo porque você sempre diz que me ama e eu percebo que você sempre diz. - ou ainda: você é uma boa mãe, eu tenho orgulho de você.

Como sou boba. Preciso me sentir aprovada por eles. Mas sou humana... E todo mundo sabe o quanto é cansativo nunca ouvir uma palavra de conforto.

Lonely

É estranho quando normalmente não se tem a verdadeira magnitude da própria solidão.

E é mais estranho ainda quando se luta contra essa solidão e acaba se enfiando ainda mais nela, acreditando nessa falsa sensação de aconchego no meio de outros. Acreditando nessa falsa segurança por estar debaixo de um teto.

Nessa falsa sensação de plenitude, só porque não falta nada.

Quando na verdade...Quando as luzes se apagam...

Não há aconchego que seja confortável.

Não há segurança que não pareça com uma vida inteira em um cubículo - prisão.

Não há plenitude que pareça bastar, porque nunca houve plenitude.

Como me cobra manter-me viva plenamente, quando me falta já de início, algo chamado 'vida'?

Carnaval

É carnaval mais uma vez.
Primeiro carnaval na "maior idade".
Brindei com uma amiga de "menor idade" que esse seria o carnaval mais louco de nossas vidas.
Interiormente, não estava empolgada com a idéia, mas na hora a gente anima.
Exteriormente, estava como todos. Ansiosa. Sorrisos de malícia.
Acontece que, no primeiro dia, fiquei, em menos de meia hora, completamente bêbada e assim estando, falava tudo o que queria, fazia o que queria e o que não queria também, já que nada importava muito.
Acontece que pela primeira vez eu fui para o carnaval sem um foco masculino e isso pareceu um tanto quanto aquela frase: "Para quem não sabe onde ir, qualquer lugar serve." Tive medo dessa frase.
Mas aconteceu que vetei muitos seres de Marte simplesmente porque eram nojentos e esquisitos demais. Poxa, sou de Vênus, dá um desconto aí. Eram seres demais. Uma tropa de alienígenas prontos para me atacar. Mas resisti fielmente, com exceção de uns poucos conhecidos. Poucos em relação à tropa, não em relação a noite. Foram muitos para um noite. Não sou moralista, nem nada, mas descobri que tenho um certo tipo de moral para comigo mesma. Moral esta que não me deixou sentir plenamente bem. Mas nem liguei. Não foi tão ruim assim para quem não tinha nenhum foco.
O problema foi o segundo dia. Passei o segundo dia fugindo de uns dos seres da noite anterior, depois indo atrás de outro que disse suavemente: Aqui, não. Tem gente demais. Depois te procuro. E procurou. Procurou depois de já ter ficado com outros dois. Um que nunca verei na vida e que não passou de um beijo apressado. E eu, mais uma garota da lista dele, tendo a perfeita convicção disso, já que eu o vi comemorando um número qualquer depois.
Os homens são cruéis.
O outro, conhecido. Estava sem vê-lo há uns cinco anos. Ele estava mais bonito do que há cinco anos atrás. E foi ELE que lembrou de mim e lembrou meu nome. Mas nada de mais, foi algo sem-noção como todos os outros. Sem conteúdo, sem música de fundo ou uma frase especial. Tudo bem, eu sei. É demais exigir isso em pleno carnaval. É como querer respirar oxigênio no vácuo do Espaço.
Para alguém como eu, que achava que o carnaval iria ser um deserto de afeto masculino, até que estou bem. Sou uma pessoa carente, preciso de certas coisas fúteis para manter um nível de.... Nível de quê, meu deus!? O que estou falando...? Nível? Que espécie de nível? Nível onde procuro números negativos que só me fazem descer na escala?
As pessoas foram indo embora... Quando vi, já não tinha amigos para fingir uma conversa animada. Minha irmã estava ficando com um cara meio chato demais, então eu parei.
Parei.
E fiquei só observando as pessoas nas ruas. Todos seres aleatórios. Seres de Marte e Vênus.
Seres de.. Da onde mesmo? Não sei, mas se começo me encaixava como habitante de Vênus, naqueles minutos, me sentia um ser da Terra. Inferior. Sozinho. Os seres de Marte estavam todos juntos, jogando seus joguinhos, mostrando sua habilidades.
E então, aconteceu. Eu percebi a ridicularidade daquilo tudo e e senti falta. Porque estava sozinha e não gosto disso. Mas acima de tudo sentia falta de algo em especial. Mas como um violinista decadente, apreciei o sabor da minha solidão e transformei em música. Pensei em você.
Isso mesmo que você ouviu. Pensei em você com tanta intensidade, sozinha, sentada na calçada, às três horas da manhã. E tive a certeza que você também estaria sozinho, dormindo talvez, mas tive a certeza que pude chegar até você.
Voltei para casa decidida a não sair mais nesse carnaval. Por causa de você. Porque eu ter ficado com tanta gente assim, foi só a necessidade de ter você comigo. Necessidade esta, hoje, impossível de ser suprida.
Mas as coisas continuam assim, tenho você em meus pensamentos. E não te esqueço. Você me disse para viver plenamente, e eu vou. Mas antes, me deixe fazer um pouco de merda, assim eu tomo jeito e quando isso tudo acabar, posso me concentrar em me preparar para você.
Para quando você voltar.
Quando cheguei em casa, me senti um ser da Terra mesmo. Miserável. Errado. O pior dos seres.
Quando deitei a cabeça no travesseiro, parei de me martirizar e me concentrei o máximo que pude em você.
Senti tanto sua falta... Senti que segurei sua mão.
Eu dormi rápido. E sonhei com você. Mas foi um sonho real de filme.
Não muito romântico, envolvendo o Universo, diversos mundos, diversos seres...Vampiros, Fadas, Elfos, Duendes, Lobisomens, Magos, Demônios. E nós, humanos.
Mas isso aí já é assunto para outro post.

Um brinde ao carnaval mais triste e vazio de minha vida.

A magia das Crianças II

Um dia, por acaso, encontrei um menino. De uns 10 anos.
E por acaso, quando passei pela porta, ele olhava sério, pela janela do consultório, os carros que passavam lá embaixo na Avenida.
Ele usava uma blusa vermelha de manga comprida. E sua pele era mais branca que o normal, mas branca de palidez. Seu rosto tinha traços perfeitos e harmoniosos. Seu cabelo castanho acinzentado, estava naturalmente bagunçado.
Mas o que me prendeu nele foi sua postura e seu olhar.
Era uma postura naturalmente rígida, como quem fica de pé diante alguma autoridade, mas sendo autoridade também. Seu olhar era profundo e percebi que ele não olhava os carros - estava em um lugar bem longe dali. Talvez por isso tenha demorado a perceber que era observado.
Eu estava parada no corredor com meu filho no colo, hipnotizada, olhando-o através da porta inexistente. Quando ele percebeu que eu estava ali, olhou para mim com certo pudor e mudou a postura encostando-se disfarçadamente na mesa ao lado. Eu dei um meio sorriso e entrei na sala. Não queria sorrir. Não queria ser como as pessoas grandes que sorriem simpatica e pateticamente toda vez que vêem uma criança. Desde já eu queria mostrar para ele que percebi como ele se sentia, e que eu não iria sorrir porque não queria incomodá-lo, nem forçar nada. Queria apenas... fazer-lhe companhia. Deixei o Alexandre andar e ele foi pra dentro da sala, e começou a brincar com uns brinquedos.
Entrei silenciosamente e percebi o olhar dele sobre mim. Sentei no sofá de frente para ele e ficamos olhando durante um tempo observando a Avenida. Olhei pra ele rapidamente e percebi a luminosidade suave do sol em seu rosto pálido que brilhava, e seu olhos eram claros.
Eram castanho-acinzentados, mas eram incrivelmente claros.
E eram olhos sábios. Calmos. Profundos. Penetrantes. Firmes.
Nunca tinha visto nenhuma criança com essas características.
- Oi. - eu disse, de súbito.
- Oi! - Ele disse, simpaticamente olhando pra mim.
- Você está tão sério aqui...
- Estou esperando o médico chamar.
- Hmmm... É ruim esperar, né?
- É...Mas já estou acostumado.
Nesse momento meu filho se colocou no espaço existente entre nós dois e assim que olhou pra mim desviou e começou a rir para o menino. O menino riu pra ele, pegando em sua mão:
- Oi, neném!
O alexandre, muito afetuoso como sempre, abraçou o menino. E eu me senti completamente fascinada por aquela cena. Durou poucos segundos. O Alexandre logo se dispersou e foi procurar algo em que mexer.
- Você é mãe dele?
- Sou...- Disse e dessa vez eu que senti pudor, estava olhando pra baixo.
- Você vai se sentir sempre nova enquanto estiver com ele.
Levantei a cabeça e olhei imediatamente para o garoto, surpresa, séria.
Ele sorria pra mim. Um sorriso leve, verdadeiro. O sol iluminava seu rosto perfeito.
O rosto dele brilhava.
Seu sorriso era de uma inocente perfeição.
Eu sorri de volta, concordando com a cabeça. Ele voltou a olhar a Avenida. E eu observava o Alexandre, que se divertia batendo a cabeça de uma boneca na parede.
- E ele vai se sentir mais velho enquanto estiver comigo. - Ousei completar.
- Assim vocês vão ser iguais sempre.

Olhei novamente para o garoto, surpresa e séria. E ele novamente sorriu para mim. Aquele sorriso leve. E eu pensei se poderia me apaixonar por um garoto de 10 anos. E pensei se poderia ser mãe dele. Eu queria ser. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Alexandre saiu correndo para o corredor e tive que ir atrás. Quando voltei, alguns minutos depois, o menino não estava mais ali. Já devia ter sido chamado pra consulta.

O que me deixa triste... é que nunca mais o vi.
Queria que ele pudesse ter me dado um pouco mais de Vida.
Queria poder ter dito algo melhor pra ele.
Queria poder ter conhecido aquele menino.

Momento.

Era noite fresca.
Um grupo de jovens tocava violão dentro da casa quente.
Dois casais estavam fora da casa, aproveitando o resto da noite.
Um rapaz 'posudo', loiro de olhos azuis, tocava e escolhia as músicas.
O resto acompanhava.
Duas meninas alegres cantavam empolgadamente no sofá maior, faziam até coreografia.
Uma menina marrenta e um garoto meio bobo estavam sentados em outro sofá e cantavam também.
Um menino com ar de triste estava sentado desconfortavelmente na outra poltrona ao lado de uma garota bonita, que também não parecia confortável com a situação, mas que cantava mesmo assim.
Perto da janela, estava uma garota, sozinha, mas ela cantava também. Todos cantavam.
Mas depois de um tempo, a qualidade das músicas foi deixando de existir e ela achou melhor ir pra fora, pegar ar, ver a noite. Sofrer sozinha.
Assim que assim, respirou cuidadosamente o ar, como se ele pudesse cortá-la. Percebendo que não, inspirou profundamente, relaxando o corpo.
Olhou para o lado e um casal estava olhando-a.
- Oii, gente...- Ela disse, se aproximando.
- Oiii..- eles dois responderam juntos, carismáticamente.
Quase que na mesma hora, um garoto saiu da casa, chamando o rapaz que estava com a menina. Ele pediu licença e se retirou.
A menina olhou para a garota, e elas riram, constrangidas.
A menina viu uma postura atípica, com roupas atípicas ( roupas coloridas, sem nenhuma preocupação com a combinação. ), mas que estavam elegantes e bonitas na garota de cabelos ruivos e olhos verdes. Por falar em cabelo, ela também notou que a garota estava com uma flor verde presa à ele. A garota tinha uma postura confiante meio tímida, o que confundiu a menina.
A garota via uma menina delicadamente vestida. Uma menina pequena, mas que já podia ver que era mulher. Magrinha. O rosto branco, perfeito, com seus delicados olhos azuis. Tudo na menina era delicado e romântico. A garota sentiu vontade de chorar diante de tanta delicadeza. Era uma princesa.
A garota começou a falar sem parar - apesar de calmamente - sobre coisas, coisas e mais coisas.
A menina ouvia, ria, concordava. Elas estavam em sintonia.
Ela gostava de sentir a outra falar. Ela gostava de ser ouvida por olhos tão doces.
De repente perceberam que estavam de frente uma para a outra, sentadas.
Seus olhares se cruzaram por um longo tempo. A garota abaixou a cabeça, com vergonha. A menina permaneceu imóvel olhando a garota.
A garota levantou o olhar, com repentina determinação.
- Você me beijaria?
A menina riu. Não precisava ter perguntado.
Ela segurou delicadamente uma das pernas da garota.
A garota passou a mão pelos cabelos curtos da menina.
E puderam sentir o calor uma da outra, quando seus lábios de tocaram, delicadamente.
A garota queria absorver toda a delicadeza da menina. E suas mãos sentiam o suave rosto da menina.
A menina tinhas as mãos nas pernas da garota. Na verdade, ela queria segurar a cintura. Mas a posição a impedia. Estavam sentadas uma de frente pra outra.
Naquela noite fresca, elas descobriram algo chamado admiração.
Naquela noite quente, elas descobriram o quanto eram iguais. E amaram. Amaram uma a outra, como se pudesse ser para sempre.