quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A magia das Crianças II

Um dia, por acaso, encontrei um menino. De uns 10 anos.
E por acaso, quando passei pela porta, ele olhava sério, pela janela do consultório, os carros que passavam lá embaixo na Avenida.
Ele usava uma blusa vermelha de manga comprida. E sua pele era mais branca que o normal, mas branca de palidez. Seu rosto tinha traços perfeitos e harmoniosos. Seu cabelo castanho acinzentado, estava naturalmente bagunçado.
Mas o que me prendeu nele foi sua postura e seu olhar.
Era uma postura naturalmente rígida, como quem fica de pé diante alguma autoridade, mas sendo autoridade também. Seu olhar era profundo e percebi que ele não olhava os carros - estava em um lugar bem longe dali. Talvez por isso tenha demorado a perceber que era observado.
Eu estava parada no corredor com meu filho no colo, hipnotizada, olhando-o através da porta inexistente. Quando ele percebeu que eu estava ali, olhou para mim com certo pudor e mudou a postura encostando-se disfarçadamente na mesa ao lado. Eu dei um meio sorriso e entrei na sala. Não queria sorrir. Não queria ser como as pessoas grandes que sorriem simpatica e pateticamente toda vez que vêem uma criança. Desde já eu queria mostrar para ele que percebi como ele se sentia, e que eu não iria sorrir porque não queria incomodá-lo, nem forçar nada. Queria apenas... fazer-lhe companhia. Deixei o Alexandre andar e ele foi pra dentro da sala, e começou a brincar com uns brinquedos.
Entrei silenciosamente e percebi o olhar dele sobre mim. Sentei no sofá de frente para ele e ficamos olhando durante um tempo observando a Avenida. Olhei pra ele rapidamente e percebi a luminosidade suave do sol em seu rosto pálido que brilhava, e seu olhos eram claros.
Eram castanho-acinzentados, mas eram incrivelmente claros.
E eram olhos sábios. Calmos. Profundos. Penetrantes. Firmes.
Nunca tinha visto nenhuma criança com essas características.
- Oi. - eu disse, de súbito.
- Oi! - Ele disse, simpaticamente olhando pra mim.
- Você está tão sério aqui...
- Estou esperando o médico chamar.
- Hmmm... É ruim esperar, né?
- É...Mas já estou acostumado.
Nesse momento meu filho se colocou no espaço existente entre nós dois e assim que olhou pra mim desviou e começou a rir para o menino. O menino riu pra ele, pegando em sua mão:
- Oi, neném!
O alexandre, muito afetuoso como sempre, abraçou o menino. E eu me senti completamente fascinada por aquela cena. Durou poucos segundos. O Alexandre logo se dispersou e foi procurar algo em que mexer.
- Você é mãe dele?
- Sou...- Disse e dessa vez eu que senti pudor, estava olhando pra baixo.
- Você vai se sentir sempre nova enquanto estiver com ele.
Levantei a cabeça e olhei imediatamente para o garoto, surpresa, séria.
Ele sorria pra mim. Um sorriso leve, verdadeiro. O sol iluminava seu rosto perfeito.
O rosto dele brilhava.
Seu sorriso era de uma inocente perfeição.
Eu sorri de volta, concordando com a cabeça. Ele voltou a olhar a Avenida. E eu observava o Alexandre, que se divertia batendo a cabeça de uma boneca na parede.
- E ele vai se sentir mais velho enquanto estiver comigo. - Ousei completar.
- Assim vocês vão ser iguais sempre.

Olhei novamente para o garoto, surpresa e séria. E ele novamente sorriu para mim. Aquele sorriso leve. E eu pensei se poderia me apaixonar por um garoto de 10 anos. E pensei se poderia ser mãe dele. Eu queria ser. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Alexandre saiu correndo para o corredor e tive que ir atrás. Quando voltei, alguns minutos depois, o menino não estava mais ali. Já devia ter sido chamado pra consulta.

O que me deixa triste... é que nunca mais o vi.
Queria que ele pudesse ter me dado um pouco mais de Vida.
Queria poder ter dito algo melhor pra ele.
Queria poder ter conhecido aquele menino.

Momento.

Era noite fresca.
Um grupo de jovens tocava violão dentro da casa quente.
Dois casais estavam fora da casa, aproveitando o resto da noite.
Um rapaz 'posudo', loiro de olhos azuis, tocava e escolhia as músicas.
O resto acompanhava.
Duas meninas alegres cantavam empolgadamente no sofá maior, faziam até coreografia.
Uma menina marrenta e um garoto meio bobo estavam sentados em outro sofá e cantavam também.
Um menino com ar de triste estava sentado desconfortavelmente na outra poltrona ao lado de uma garota bonita, que também não parecia confortável com a situação, mas que cantava mesmo assim.
Perto da janela, estava uma garota, sozinha, mas ela cantava também. Todos cantavam.
Mas depois de um tempo, a qualidade das músicas foi deixando de existir e ela achou melhor ir pra fora, pegar ar, ver a noite. Sofrer sozinha.
Assim que assim, respirou cuidadosamente o ar, como se ele pudesse cortá-la. Percebendo que não, inspirou profundamente, relaxando o corpo.
Olhou para o lado e um casal estava olhando-a.
- Oii, gente...- Ela disse, se aproximando.
- Oiii..- eles dois responderam juntos, carismáticamente.
Quase que na mesma hora, um garoto saiu da casa, chamando o rapaz que estava com a menina. Ele pediu licença e se retirou.
A menina olhou para a garota, e elas riram, constrangidas.
A menina viu uma postura atípica, com roupas atípicas ( roupas coloridas, sem nenhuma preocupação com a combinação. ), mas que estavam elegantes e bonitas na garota de cabelos ruivos e olhos verdes. Por falar em cabelo, ela também notou que a garota estava com uma flor verde presa à ele. A garota tinha uma postura confiante meio tímida, o que confundiu a menina.
A garota via uma menina delicadamente vestida. Uma menina pequena, mas que já podia ver que era mulher. Magrinha. O rosto branco, perfeito, com seus delicados olhos azuis. Tudo na menina era delicado e romântico. A garota sentiu vontade de chorar diante de tanta delicadeza. Era uma princesa.
A garota começou a falar sem parar - apesar de calmamente - sobre coisas, coisas e mais coisas.
A menina ouvia, ria, concordava. Elas estavam em sintonia.
Ela gostava de sentir a outra falar. Ela gostava de ser ouvida por olhos tão doces.
De repente perceberam que estavam de frente uma para a outra, sentadas.
Seus olhares se cruzaram por um longo tempo. A garota abaixou a cabeça, com vergonha. A menina permaneceu imóvel olhando a garota.
A garota levantou o olhar, com repentina determinação.
- Você me beijaria?
A menina riu. Não precisava ter perguntado.
Ela segurou delicadamente uma das pernas da garota.
A garota passou a mão pelos cabelos curtos da menina.
E puderam sentir o calor uma da outra, quando seus lábios de tocaram, delicadamente.
A garota queria absorver toda a delicadeza da menina. E suas mãos sentiam o suave rosto da menina.
A menina tinhas as mãos nas pernas da garota. Na verdade, ela queria segurar a cintura. Mas a posição a impedia. Estavam sentadas uma de frente pra outra.
Naquela noite fresca, elas descobriram algo chamado admiração.
Naquela noite quente, elas descobriram o quanto eram iguais. E amaram. Amaram uma a outra, como se pudesse ser para sempre.

Dualismo

Me ocorre agora, que toda alma possui dualismo.

(Então seria verdade, que os bichos não têm alma?
Alguém já conseguiu enxergar através dos olhos de um animal sua alma?
Alguém já viu dualismo em algum bicho?)

Porque ao contrário do que ensinam, o bem precisa do mal para ser considerado bem.
O doce precisa do amargo.
O fogo, da água. - São os dois elementos doadores de Vida. E é engraçado quando a gente pensa que ambos em sua medida exagerada destroem a Vida. Isso talvez queira nos dizer alguma coisa...

E quando penso que tudo existe, não separadamente, mas junto, mesclado.
Chega a ser difícil definir o que é o que.
Tudo é junto em um Universo que, só porque não conhecemos o fim, consideramos infinito.
Caso o fogo não existisse, muita coisa mudaria.
E assim é com nossa alma.
Nossa alma, dualista, sim. Tudo, todas as emoções, personalidades, pensamentos, estão lá, misturados.
Tente cortar definitivamente algo..
Além de ser difícil, não acredito que valha à pena tamanho esforço.
Seria como ser uma alma de menos. Uma alma incompleta.

"O Pecado original é limitar o Ser. Não o faça."

Divano

Ela chegou meio atrasada no lugar marcado.
Todos já estavam no salão, e só uma pessoa se encontrava na frente de todos, falando.
Quando a garota abriu a porta, sabia o que iria encontrar e ao que estava se sujeitando.
Todos os olhares encontraram imediatamente aquela postura tímida, que pedia desculpas com um sorriso sem graça pela interrupção.
Ao sentar-se, procurou o lugar mais distante possível e o mais perto possível, para não chamar atenção por se excluir e também para não ser vista por quem ficaria atrás.
Procurou prestar atenção no que mulher gorda da frente dizia, com aquela voz de telefonista.
A garota ouviu e só conseguia se arrepender por ter ido. Muito blá blá blá. Muitos clichês que não mais satisfaziam seu espírito, ao contrário, o deixavam mais inquieto, quão rasas e vãs eram as palavras da telefonista. Mas agiu como uma formiga.
Se levantam, ela levantava também. Se aplaudissem, ela aplaudia. Se se ajoelhassem, ela ajoelhava.
Desse modo, ninguém sabe dizer realmente se a formiga está realmente interessada naquilo que está fazendo ou não. Mas pelo menos parecia.
Ela tinha nojo por estar ali, pena daquelas pessoas por se agarrarem a coisas tão supérfluas disfarçadas de fervor.
Mas não demonstrava nada. Apenas se um alguém muito bom na arte de observar parasse na frente dela e a olhasse nos olhos durante um tempo é que perceberia o quanto ela estava desconfortável com aquilo tudo, o quanto estava querendo mandar todos pro inferno.
Mas ninguém faria isso. Ninguém pararia para olhar nos olhos dela e tentar descobrir o que realmente estava ali.
A mulher gorda com voz de telefonista deu então um papel para cada um e uma caneta.

'Nós estamos reunidos aqui porque gostamos de nos alegrar na presença do Senhor! Nesse ano que passou, Ele nos deu muitas coisas e nós somos muito gratos por tudo aquilo que ele nos concedeu. Estar aqui é uma forma de agradecimento à Deus, ir a missa, rezar à noite, tudo isso, nos deixa cada vez mais próximos de nosso Pai! Sabendo disso, quero que vocês escrevam aí seus agradecimentos à Deus por esse ano maravilhoso que passou! E mesmo que o ano não tenha sido tão bom, agradeçam mesmo assim! Porque Deus sabe o que faz."

A garota olhou petrificada para a mulher. Percebia que todos sorriam um para o outro, e se animavam em começar a escrever logo. Dessa vez a garota não estava conseguindo disfarçar a frustração, e imediatamente abaixou a cabeça fingindo que escrevia algo. A mulher sentada ao lado dela sorriu. Todos sorriam. Um homem se pronunciou:

- Eu queria agradecer aqui, na frente de todo mundo, porque minha irmã estava doente, e eu rezei muito por ela, e sempre colocava o nome dela nas orações do grupo, e graças a Deus, hoje, minha irmã está bem! A cirurgia foi milagrosa!

- Amém! - algumas pessoas gritaram, não ao mesmo tempo.

Silêncio. Mais uma vez a garota estava sozinha com o papel branco.
O que escreveria?
Tentou lembrar do que, no ano anterior, ela poderia ser grata à Deus.
As coisas materiais? Não. Deveria agradecer à seus pais.
As coisas ruins, a solidão, aos erros? Não. Esses cabiam somente à ela.
As coisas boas, os momentos de alegria? Também não. Esses dependeram, além das pessoas à sua volta, à ela mesma também.

Mais uma vez ela estava sozinha com o papel branco. E não sabia o que escrever.
Finalmente, escreveu e dobrou rápido o papel.
Olhou em volta e mulher ao seu lado lhe sorriu mais uma vez.
Ela retribuiu o sorriso sem dar muita importância.
O encontro acabou pouco tempo depois. E ela foi pra casa, com sensação de tempo perdido.

No papel estava escrito:
"Eu nada Vos dou porque nada me deste."

Deus e a Vida.

- Mas Deus te deu a Vida, o dom precioso que temos!!! Você deveria ser grata à Ele pelo menos por isso! - Dizem-me, e olham-me com o horror incrédulo nos olhos.

Deus me deu a Vida...E eu deveria ser grata à Ele por isso...Sério?
Hmm... Por que eu deveria ser grata?
Primeiro, eu não pedi a Vida. E se ele não a tivesse dado, eu nem saberia disso, porque assim eu não existiria. Não pedi pra viver e apesar disso, estamos todos aqui, vivendo..Bem ou mal, mas estamos. Duvido que seja toda responsabilidade Dele.
Segundo, porque eu deveria ser grata à Ele por isso, se assim como ele deu a Vida à mim, deu a outras tantas bilhões e trilhões de pessoas? Se é Ele mesmo que nos dá a Vida, creio que está sobrando esse dom por lá, então ele despacha pra cá em forma de qualquer corpo que esteja precisando.
Isso me faz pensar que esse 'magnífico e preciosíssimo dom da Vida' que Deus nos dá, não vale tanto, nem é tão importante assim. Aliás, 'dom'? Que dom? Isso realmente deveria ser chamado de dom? Ah, então deveria ser chamado de 'bem'... Bem? Que diabos de bem? A vida é bela, meu querido. Mas não tenho certeza quanto a chamá-la de 'bem precioso', porque não podemos dá-la de herança a ninguém, nem podemos vendê-la.

Mas a questão não é tão essa. A questão é que eu creio que Deus não tem nada a ver com a vida que possuímos. A gente simplesmente a possui quando passamos a ser um corpo completo, uma mente. Ele pode ter criado todo o mecanismo, pode ser responsável pela alma, e pode nos dar dicas de como lidar com a Vida. Mas a Vida mesmo foi nos dada a milhões de anos atrás, quando 'uma molécula disse sim pra outra' e pronto - esse 'sim' foi Deus; Mas Deus não me 'deu' essa vida específica que vivo há 18 anos. Como todas as outras, foi inevitável que acontecesse.

A Magia das Crianças

A garota, funcionária de um hotel de luxo estava no píer, observando o catamarã com os passageiros se afastar quase no horizonte. Um garotinho de aproximadamente cinco anos veio correndo e parou do lado dela e perguntou sem mais rodeios, olhando diretamente pra ela:
- Moça, no mar tem muitos peixes?
- Tem, sim. - disse ela, agora olhando pra ele.
- Muitos quantos?
- Hmmm...Bastante.
- Mais de 50? - Disse ele, agora olhando pensativo para o mar.
- Muito mais.
- Mais de 100?
- Aham.
- Mais de mil?!? - Ele agora olhava para ela, como se ela estivesse dizendo algo impossível.
- Com certeza, muito mais. - Ela sorriu para o menino. Ele voltou a olhar pensativo para o mar.
- E tem muitos tubarões?
- Deve ter...
- Mais de mil?
- Uhum.
O garoto pareceu assustado, e voltou a olhar pra ela.
- Mas tem mais peixe do que tubarão, né?
- Tem. - A garota olhou pra ele, surpresa com seu raciocínio.
- Você já viu algum tubarão?
- Não... Você já?
- Não! Eles mordem a gente...
- Você já viu algum peixe?
- Já! Eu tenho um monte lá em casa! Eles são coloridos e no aquário deles tem um navio beeem grande!
- Você tem mais que 100?
- Não!! - Ele olhou para a garota, percebendo que era impossível ter 100 peixes em casa. - Tenho uns 10 peixes.
- E eles são grandes?
- São pequenininhos assim, ó! - Mostrou o tamanho fazendo um 'C' com o dedo indicador e o dedão.
- Que bonitinhos devem ser.
- Aham! Eles são coloridos! - O garoto estava olhando para o mar de novo e houve um breve silêncio.
- Você já viu peixes no mar? - A garota disse dando um pulo na frente dele.
- Não. - Ele olhou para ela com olhar de expectativa que só as crianças sabem dar.
- Quer ver?
- Quero!!
A garota pegou ele pela mão e caminharam até o final do píer. Ela tirou o tênis, e o levou através da areia, para baixo do píer. Se aproximaram da água calma e cristalina.
- Ali, ó!
O garoto olhou supreso.
- Eles são pretos! E são menores que os meus peixes...
- São bonitos, né? Eles moram aqui embaixo. E ficam comendo essas coisinhas grudadas na madeira.
- Séério? - O menino não conseguia desviar o olhar dos peixes.
- Aham!
- Ecat! Os meus peixes comem uma comidinha fininha que parece papel.
- Bem, mas esses peixes aqui vivem no mar. E podem ir a qualquer píer que quiserem!
- Mas você disse que eles moram aqui.
- Eles moram aqui, mas podem ir a qualquer lugar no mar.
- E os tubarões?
- Aqui é muito raso para ter tubarão...
- Mas e quando eles forem para outros lugares?
- Aí eles podem encontrar algum... Por isso eles ficam aqui. Porque é mais seguro e tem a comidinha deles.
- Tem mais de 20 aqui!
- É!- Breve silêncio. O garoto observava muito atentamente os peixes. - Vamos subir? Eu tenho que voltar pro trabalho. E você me prometa que só vai vir aqui de novo comigo ou com seus pais.
- Tá bom, tia!- Disse o garoto feliz, dando a mão na garota para subirem.
Quando subiram, encontraram o pai do menino em cima do píer.
- PAAAAI! A moça disse que tem mais de mil peixes no mar!!!
O homem olhou para a menina que sorriu sem graça para ele.
- Ah, é? - Ele sorriu de volta para a garota, tranquilizando-a.
- ÉÉ! E alii embaixo - ele apontou para baixo - tem um monte de peixe preto que come a comida que tem na madeira!
A menina ajoelhou:
- Bem, amiguinho, estou indo, tá? A gente se vê por aí. - Finalizou ela, levantando e acenando adeus.
Olhou para o homem:
- Tchau. E desculpe qualquer coisa, seu filho é adorável.
- Não se preocupe, tchau.

Gossip

O que é a mentira, afinal?
Uma negação da Verdade? Uma Verdade inventada? Uma meia Verdade?
Uma brincadeira?
Uma omissão? Algo diferente do que realmente foi?

E o que é a fofoca? Um mexerico?
Algo que alguém viu e disse para outro alguém e assim foi indo?
Algo que alguém inventou em um momento de raiva para se vingar?
Um mal entendido?
Meu querido amigo, Elvis Presley, a definiu bem uma vez.
"Fofocas são palavras pequenas, vindas de mente pequenas."
Concordo. Só me sinto meio insegura quanto a segunda parte da frase.
Mentes pequenas? Não, meu caro. Talvez aí você tenha errado.
São mentes enooormes, com muito espaço para tudo o que há. Mentes criativas, boladoras de mil planos mirabolantes. Mentes altamente criativas e abertas à tudo. E mentes conspiradoras, sendo assim, mentes perigosas. Mas pequenas? Jamais!
Veja bem, Elvis, e depois me diga se concorda...
O que é pequeno nessas pessoas não são suas mentes. Como já disse, devem ser enormes.
O que é pequeno, é a alma.
E o coração também. Se não, este se encontra muito endurecido pela vida.
E só tenho a dizer 'meus pêsames', porque um coração endurecido é uma das coisas mais tristes de se ver - e mais fáceis de se achar. Ainda mais em uma cidade tão pequena como a minha.

A mentira e a fofoca costumam andar lado a lado. E nunca se sabe quem a inventou, como começou e o por que exatamente dela ter passado a existir. Bem, coisas de humanos...
Não querendo me explicar, mas já o fazendo, porque detesto ser vítima dessas carolas de igreja, ou desses idiotas que não têm o que fazer, eu declaro, e provo se necessário:
- Não, minhas queridas pessoas de Bom Jardim, ou de qualquer lugar do planeta, eu não estou saindo e nunca saí com alguém casado.