(observe que não disse vida real).
Que coisa, esses textos chatos. Cheios de confissões, de pedidos. As palavras se arrastam em longas melodias melosas. Odeio gente que fala baixo, em tom de 'pedição'. Odeio quem me suplica coisas. Não desesperadamente, mas tristemente. Odeio quem pede desculpas sem precisar. Odeio gente religiosa. Odeio minha miopia. Odeio meu nariz. Odeio minha cara torta.
É por isso que não dispenso maquiagem. Odeio minhas pernas grossas e meu jeito feio de andar.
É por isso que não dispenso salto. Viu, tá falado. Não dói tanto assim. Se pudesse colocaria silicone. E faria lipo. É, É. Não sou um exemplo supremo de simplicidade e naturalidade. Eu natural não me aguento. Eu natural sou artificial. Eu natural tenho 55 anos. Outra coisa, a sua naturalidade também não me agrada. Não que eu inveje, muito contrário. É que sua naturalidade me soa cínica.
Confesso que teve uma vez que eu disse uma coisa, e acabei fazendo outra. Além da coisa que eu disse que ia fazer, havia duas outras opções. Uma não tão boa e uma pior. A pessoa a quem isso diz respeito acha que fiz a não tão boa. Essa pessoa não confia mais em mim. Mas ela não sabe a verdade. A verdade é que cometi não um ato não-tão-bom. Eu cometi o pior ato. Uma infâmia. Uma vergonha. Confesso. Sem piedade de mim, sem querer pedir desculpas. Eu confesso. Só para confessar.
Outra verdade. Te quero porque você não me quis mais. Coisa de garota mimada. Passa, como tudo.
Confesso que você é chato e eu só falo com você quando me interessa.
Confesso que eu sei que você é morta por dentro.
Confesso que te acho feio. Muito feio.
E quanto à você? Você é pegajoso.
Prefiro mulher do que homem na maioria dos casos.
Não gosto de sexo.
Odeio Pânico e seus modismos e o Multishow e suas propagandas pseudo-surreais.
Também não gosto de palavras como maxixe, shimbalaiê e sambalelê. Odeio artesanato - a maioria deles. Odeio veludo.
Ah! Quase me esqueci. Detesto a cultura brasileira. Assim como detesto coisas americana e européia demais. Detesto coisa de índio, menos o modo como eles vivem. Detesto sertão. Não gostei de 'olhai os lírios do campo' nem de Harry Potter, nem de Senhor dos Anéis, nem de Stephen King. Odeio as bandas atuais brasileiras. Tenho ânsia de vômito quando penso em Ivete Sangalo, Claudia Leite e Big Brother. Não ouço forró/pagode/samba/axé e nem adianta que eu NÃO SEI os funks que estão fazendo sucesso. Também nem vem com papinho pra cima de mim sobre Black Sabatth (sei lá como escreve isso), Nirvana, Cannibal Corpse, Nx Zero, Restart e Strike. Não ouço reagge também. Só gosto daquela música: 'don't worry..about the things...'
SÓ.
Confesso que não gosto de São Paulo. Confesso que às vezes, de noite, tenho medo de ficar sozinha. Confesso que nunca quis ser mãe. Confesso que acho mulher-grávida a decadência de humanidade. Confesso que sou a favor do aborto nas primeiras 4 semanas. Confesso que amo meu filho mais do que a todos. Confesso que, atualmente, só sou vegetariana de vez enquando.
É por isso que você vem sempre aqui? Para saber o mais íntimo de minhas fraquezas?
Boa tática.
...
Mas nada disso faz quem eu sou. A essência você não é capaz de captar.
Uau.
Pela primeira vez nesse blog, escrevi uma frase e apaguei tudo assim que reli.
Fica registrado aqui.
Essa frase você não terá. Você não tem idéia do que pode ser.
E não, não é isso que você tá pensando.
Essa frase é minha. E morrerá comigo.
Chega de confissões.
Boa noite.
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