Um estreitamento no peito.
Está frio. E isso é bom.
Me sinto bem nessas tardes de outono que são as mais bonitas de todo o Universo.
é incrível o que a inércia é capaz de fazer.
e incrível o que o Silêncio nos diz. dói tanto...
Então eu escuto música.
A sensação mais horrível que há para o ser humano é saber o que lhe acontecerá nos próximos anos.
Eu sei.
Exatamente. Sei até o que me acontecerá nos próximos dias, principalmente.
Tudo igual.
Tudo igual.
A mesma inércia.
A mesma ausência de sentimentos.
O Nada tem mais significado do que eu perante minha própria vida.
"Dá-me mais vinho, que a vida é nada!"
Talvez seja isso...
Talvez..Eu esteja querendo errado.
Talvez eu esteja querendo fazer algo de algo que só sairá o semelhante ao Nada.
Mas não quero acreditar na minha própria inércia.
Não quero acreditar em mim nesse cenário.
Não quero me ver. O espelho há muito está rachado.
E o cenário e eu lá do outro lado, estamos todos errados e danificados.
Mas aí eu tapo o espelho com um pano preto. E esqueço que ele está ali.
Olho em volta e, teoricamente, o cenário não está danificado. É real.
E eu também, que sou orgânica. Matéria comível. Totalmente real.
Então por quê?
Por que me sinto tão rachada, irreal, como se estivesse presa dentro de um espelho rachado e o cenário fosse intocável?
Por que me sinto intocável por mim mesma?
"Porque estou maior que mim mesma e não me alcanço."
Então, todas as coisas estão maiores também.
Cresceram sem mim. Esses irreais.
Olho por baixo, eu, essa coisa orgânica.
Vejo, mas é tudo sonho.
Sinto falta do tempo que tudo era tão real e eu podia tocar.
Eu estou no mundo. Mas não estou.
Eu penso. Eu sinto. Mas não penso, nem sinto.
Não estou com ninguém.
Estou com pessoas bem longe daqui.
Mas ninguém daqui me tem.
Não sou orgânica.
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