quinta-feira, 25 de novembro de 2010

( Eu tenho que contar essa história porque essa história está engasgada nos meus pensamentos e freqüentemente ela tem me impedido de escrever outra coisa. Então eu escrevo porque ela insiste, não porque eu quero. Eu quero me livrar logo dela, para não ter que escrevê-la ou pensá-la de novo. Mas tenho medo. Tenho porque essa é uma história muito delicada. E é uma história muito difícil de narrar. Sinto que por mais que eu me esforce a acrescente elementos e me concentre e tente, eu jamais conseguirei descrevê-la com precisão. Jamais. O entendimento dessa história é maior que tudo o que conheço, o momento dessa história é delicado demais e nós, humanos, com nossas patas insensíveis e imediatas, jamais conseguiremos absorvê-la como quem absorve uma fruta. Essa história não é digerível. Só é digerível para quem viveu. Quem viveu, vai logo saber e o sentimento vai voltar. Viver tem mais peso que a escrita, ainda mais a minha, tão imprecisa. Então, já peço que me perdoem. Me perdoem pela minha falta de capacidade de descrever essa história como deveria ser descrita. Mas eu preciso dar para alguém essa história. Eu não quero mais ficar com ela.'Tome-a! É sua, abra!' E sem saber, é o peso e a insistência do mundo de presente... )

As garotas, animadas, enchiam seus balões de água.

Os garotos, escondidos, enchiam seus balões de água.

Uma chuva forte rasgava o ar. Mas não houve quem se importasse, isso tornou tudo até melhor.

Andaram todos, garotos e garotas, como se estivesse combinado, para um lugar espaçoso e aberto.

Contaram...3...2...1...já!

E os balões cheios de água estouravam em corpos já molhados. Os garotos miravam nas pernas e nos seios das garotas que pareciam não importar com isso. As garotas j0gavam os balões nos garotos. Todas tinham em quem jogar. Era óbvio. Se você está a fim de um garoto, em quem você vai jogar o balão de água? Nele, obviamente. E ele? Em você. É a lógica. Se você tem uma amiga, muito, muito amiga em quem você vai jogar o balão? Nela, obviamente. Ou então combinarão as duas de jogarem em um garoto amigo das duas. E se segue assim. Quem via de longe, via uma pequena confusão de amontoado de pessoas. Eu estava mais perto, sentada, embaixo de uma árvore, então via detalhadamente as expressões, de onde vinham os gritos - quem gritava. A confusão estava quase fim (durou apenas alguns minutos, no máximo trÊs), foi quando eu vi.

Havia uma garota.

Ela estava com todos os seus balões na mão e estava mais seca que os outros. Ela sustentava um sorriso ansioso, sem saber o que fazer, olhando pros lados, olhando pros outros- e olhou pra baixo.

Ninguém parecia notar que ela estava ali. Ninguém jogou um balão de água nela.

Quando ela percebeu que a confusão já estava acabando, para não parecer ridícula, jogou os balões, um de cada vez, no chão. E parou de sorrir por uma fração de segundo. Depois voltou a sorrir, como se tivesse se divertido muito e estivesse até cansada.

Ela não me viu. Ela tem certeza que não foi vista. Ela tem certeza que esse momento de solidão e vergonha, ficou só pra ela. É assim: num momento, ela estava como todos, se divertia como todos. Mas ela não foi escolhida por ninguém para se divertirem juntos.

Isso não foi uma metáfora. Eu não faço metáforas quando não quero parecer idiota.

3 comentários:

  1. ué, c deletou akele post "Tem gente que vive se vangloriando por conseguir 'sorrir quando quer chorar'. Alguém pode me explicar a vantagem disso?" ?

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  2. Oi! Deletei...porque não é bem um texto... é uma frase... E acabei colocando no meu outro blog que é mais 'bagunçado'.
    www.nefelibatai.blogspot.com

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  3. vou espiar...

    isso me faz pensar que tbm eu preciso de um outro espaço

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