quinta-feira, 25 de novembro de 2010

18 anos

Quando eu era nova, eu tinha certezas para as minhas perguntas sem respostas.
E acreditava que com 18 anos, tudo seria claro e fácil de digerir, como água.
Hoje, com 18 anos, posso dizer que sou uma pessoa que pensa.
Não que isso seja últil, mas é uma característica.
Mas hoje, não tenho certezas. Desconfio até se o céu é mesmo azul.
Desconfio de quem sou. Sou uma fraude?
Desconfio dos outros. Não confio. Eles são cheios de certezas e conceitos, sorrisos e festas, vestibular e bares. Como posso eu, me mostrar a algum deles?
Desde sempre visto a minha máscara e desde então, respiro fundo e lá estou eu. Com eles. Como se fosse eles.
Meu mundo é de incertezas e livros e música. Meu mundo é subjetivo.
No meu mundo tudo está morto.
Matei Deus, matei o Certo, matei o Amor.
Meu mundo é esse: Cheio de mortos e mortos-vivos - para que eu possa me sentir viva de verdade.
Mas no meu mundo irreal de 18 anos Deus está vivo, Nietzsche está morto, Clarice está morta e as pessoas são incapazes de imaginar a Vida sem dinheiro. Não sei, sabe? Não me sinto muito bem aqui.
Nesse meu mundo irreal de 18 anos, minhas incertezas não valem nada. São vistas como fraqueza.
No meu mundo real, minhas incertezas são minha fortaleza e eu tenho quantos anos eu quiser ter.

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