Chegaria o momento que ele teria que decidir se continuaria ou não vendo a moça. A moça o amava, mas nunca lhe dera nada, apenas seu corpo que era única coisa de si que possuía. Ela não tinha mais nada além do amor intangível e do corpo. Ele estava cansado desse jogo. O corpo, em algum momento, o corpo já fora todo descoberto. O corpo possui limites. Estava cansado do corpo da moça e do olhar incompreensível que ela o lançava quase que a todo instante. A relação dos dois era confusa, pesada. Pesada por não possuir nenhum peso. Eram livres ainda e leves por isso. Mas a incompreensão por falta de palavras, por falta de convivência talvez , fazia da íntima relação quase uma formalidade. Ele estava cansado da estranha na cama. Ela estava cansada de tentar agradar um homem que mal conhecia. A relação era profunda, intensa, mas talvez estivesse se desgastando a cada tentativa inutil de recuperarem algo que nunca tiveram.
E então eu me ponho a escrever porque ainda há muito a dizer, há muito para se esclarecer, há muito para se imaginar, então eu escrevo agora porque a qualquer momento posso morrer. Não. Não posso morrer. Me recuso a morrer antes de escrever tudo - Tudo, para todos.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
, então ele continuou seu caminho sozinho e pensando no vazio e na solidão que é o que chamamos de vida. Mesmo após ter tido a moça, o vazio continuava. Mas era óbvio que continuaria: o Vazio da Alma não pode ser preenchido por pessoas e relações humanas ou não-humanas. O Vazio da Alma fica na Alma exatamente para lá continuar. Ele gostaria tanto de preencher esse Vazio que o acompanhava por anos, logo depois que deixou de ser criança. Quando a possuía era essa a verdadeira intenção. Mas nunca chegou perto de se sentir completo. Secretamente, ela também nunca se sentiu completa, mas jamais diria. O amava. Ele era frio quando queria, rude quando julgava necessário, era livre: mas era escravo. Escravo de si mesmo, de sua moralidade. Ele era um homem moral, mas também jamais reconheceria isso. Ela sabia que ele era. E só saber, naquela época, bastava. Nada precisava ser dito.
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