Primeiro carnaval na "maior idade".
Brindei com uma amiga de "menor idade" que esse seria o carnaval mais louco de nossas vidas.
Interiormente, não estava empolgada com a idéia, mas na hora a gente anima.
Exteriormente, estava como todos. Ansiosa. Sorrisos de malícia.
Acontece que, no primeiro dia, fiquei, em menos de meia hora, completamente bêbada e assim estando, falava tudo o que queria, fazia o que queria e o que não queria também, já que nada importava muito.
Acontece que pela primeira vez eu fui para o carnaval sem um foco masculino e isso pareceu um tanto quanto aquela frase: "Para quem não sabe onde ir, qualquer lugar serve." Tive medo dessa frase.
Mas aconteceu que vetei muitos seres de Marte simplesmente porque eram nojentos e esquisitos demais. Poxa, sou de Vênus, dá um desconto aí. Eram seres demais. Uma tropa de alienígenas prontos para me atacar. Mas resisti fielmente, com exceção de uns poucos conhecidos. Poucos em relação à tropa, não em relação a noite. Foram muitos para um noite. Não sou moralista, nem nada, mas descobri que tenho um certo tipo de moral para comigo mesma. Moral esta que não me deixou sentir plenamente bem. Mas nem liguei. Não foi tão ruim assim para quem não tinha nenhum foco.
O problema foi o segundo dia. Passei o segundo dia fugindo de uns dos seres da noite anterior, depois indo atrás de outro que disse suavemente: Aqui, não. Tem gente demais. Depois te procuro. E procurou. Procurou depois de já ter ficado com outros dois. Um que nunca verei na vida e que não passou de um beijo apressado. E eu, mais uma garota da lista dele, tendo a perfeita convicção disso, já que eu o vi comemorando um número qualquer depois.
Os homens são cruéis.
O outro, conhecido. Estava sem vê-lo há uns cinco anos. Ele estava mais bonito do que há cinco anos atrás. E foi ELE que lembrou de mim e lembrou meu nome. Mas nada de mais, foi algo sem-noção como todos os outros. Sem conteúdo, sem música de fundo ou uma frase especial. Tudo bem, eu sei. É demais exigir isso em pleno carnaval. É como querer respirar oxigênio no vácuo do Espaço.
Para alguém como eu, que achava que o carnaval iria ser um deserto de afeto masculino, até que estou bem. Sou uma pessoa carente, preciso de certas coisas fúteis para manter um nível de.... Nível de quê, meu deus!? O que estou falando...? Nível? Que espécie de nível? Nível onde procuro números negativos que só me fazem descer na escala?
As pessoas foram indo embora... Quando vi, já não tinha amigos para fingir uma conversa animada. Minha irmã estava ficando com um cara meio chato demais, então eu parei.
Parei.
E fiquei só observando as pessoas nas ruas. Todos seres aleatórios. Seres de Marte e Vênus.
Seres de.. Da onde mesmo? Não sei, mas se começo me encaixava como habitante de Vênus, naqueles minutos, me sentia um ser da Terra. Inferior. Sozinho. Os seres de Marte estavam todos juntos, jogando seus joguinhos, mostrando sua habilidades.
E então, aconteceu. Eu percebi a ridicularidade daquilo tudo e e senti falta. Porque estava sozinha e não gosto disso. Mas acima de tudo sentia falta de algo em especial. Mas como um violinista decadente, apreciei o sabor da minha solidão e transformei em música. Pensei em você.
Isso mesmo que você ouviu. Pensei em você com tanta intensidade, sozinha, sentada na calçada, às três horas da manhã. E tive a certeza que você também estaria sozinho, dormindo talvez, mas tive a certeza que pude chegar até você.
Voltei para casa decidida a não sair mais nesse carnaval. Por causa de você. Porque eu ter ficado com tanta gente assim, foi só a necessidade de ter você comigo. Necessidade esta, hoje, impossível de ser suprida.
Mas as coisas continuam assim, tenho você em meus pensamentos. E não te esqueço. Você me disse para viver plenamente, e eu vou. Mas antes, me deixe fazer um pouco de merda, assim eu tomo jeito e quando isso tudo acabar, posso me concentrar em me preparar para você.
Para quando você voltar.
Quando cheguei em casa, me senti um ser da Terra mesmo. Miserável. Errado. O pior dos seres.
Quando deitei a cabeça no travesseiro, parei de me martirizar e me concentrei o máximo que pude em você.
Senti tanto sua falta... Senti que segurei sua mão.
Eu dormi rápido. E sonhei com você. Mas foi um sonho real de filme.
Não muito romântico, envolvendo o Universo, diversos mundos, diversos seres...Vampiros, Fadas, Elfos, Duendes, Lobisomens, Magos, Demônios. E nós, humanos.
Mas isso aí já é assunto para outro post.
Um brinde ao carnaval mais triste e vazio de minha vida.
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