E então eu me ponho a escrever porque ainda há muito a dizer, há muito para se esclarecer, há muito para se imaginar, então eu escrevo agora porque a qualquer momento posso morrer. Não. Não posso morrer. Me recuso a morrer antes de escrever tudo - Tudo, para todos.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Doce
Ela não tinha angústia nenhuma de ser. Ela estava sentada no corredor, sem vergonha nenhuma por estar sentada sozinha no corredor. Ela era conhecida como a menina sem-sal, muito mais ou menos da escola. Estava sempre com as lições em dia, nunca tirara um 'vermelho'. Tinha um sorriso doce e uma voz baixa. Nunca gritava. Havia o grito, mas ela nunca gritara. Havia as amigas que nem sempre estavam presentes - eram ansiosas demais. Não conseguiam ficar paradas, esperando e ela, ela na sua candura um tanto promíscua (porque sim, toda pessoa que é cândida é tão promíscua quanto os luxuriosos), ela, ela só sabia esperar. Esperar pelo o quê? Não, ela não se indagava. Nunca se indagou de nada, pois se sentia plena. Ela era infeliz, mas pensava ser feliz porque nunca parara para pensar no que é felicidade. As pessoas pareciam felizes, em tudo quanto é lugar as pessoas sempre pareciam felizes, então ela era também. Seu pensamento era de uma simplicidade grande que chegava a ser bonito. Era raso. Tudo era raso nela. Ela só sabia ler as superfícies e talvez por isso parecesse tão profunda e misteriosa. As surperfícies, se você resolver ficar só com elas, a princípio, parecerão simples...Mas a longo prazo se tornam confusas demais e passam a não fazer muito sentido. Diante disso, a garota não entendia bem o mundo e mundo não parecia compreendê-la, mas isso não era doloroso porque a garota não tentava compreender o mundo assim como o mundo não tentava compreender a garota. Ambos vivam indiferentes. Isso parece triste. Mas para a garota não tem tristeza.
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