quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Só o Nada é infinto!


Você pode ser fascinado por mim. Mas que fique claro: você não é fascinado por nada.
E sabe por quê? Porque sou o nada.
Sou aquela que será sempre metade do que é.
(Hoje mesmo, e todas as vezes que nos encontramos, eu não tenho sido nada do que sou).
Sou aquela que faz e desfaz planos, que segue e abomina ideologias, que pensa e age sem pensar.
- Eu tenho sido o tipo de pessoa que não age o que pensa.-
Sou aquela que sempre bebe mais do que deveria - a que sempre passa do ponto, a que faz as pessoas dizerem: "Menos, menos..." E depois suplicarem: "Menos, por favor, menos..."
As pessoas me bebem, mas como sou bebida orgânica, substância inteligente... É quando as pessoas me vomitam. Talvez por ter sido doce demais, talvez por ter sido demais em pouco tempo.
Também sou aquela pessoa de quem ninguém absorve nada. Sou uma pedra, sou os três pontinhos, sou o castigo do silêncio - porque eu também sei usar o silêncio.
Sou a pessoa que esconde os medos com gentilezas. Porque de alguma forma, quando se é gentil os outros esquecem o resto.
Sou a pessoa que esconde a raiva com um sorriso educado nas horas certas.
Está vendo pelo o que você é fascinado?
Quero ficar sozinha, me deixem sozinha!
Se eu não posso ter minha liberdade, me deixem ao menos ter minha privacidade.
Eu sou, eu sou, eu sou, eu sou...
Que mentira! Não sou, não sou, não sou!
Para ser, é preciso força e eu só tenho uma colérica paciência.
Posso dizer mil coisas, posso ter mil teorias, posso te beijar, te morder, posso dizer que te adoro, posso dizer que não quero te ver, posso dizer pra você não vir, posso ficar em silêncio...
No final, eu não passo disto:







(um nada infinito)

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