Eu ia ouvir música agora.
Mas nãovou.
E sabe por quê?
Porque eu estou pensando em você, e a única música que me lembra você é feliz demais para ser ouvida nesse momento em que a angustia mais uma vez me invade.
Mas não vou me limitar à você.
E sabe por quê?
Porque estar pensando em você e sentindo angustia não significa que a causa dessa angustia seja você. A causa dessa angustia é...
Não sei.
Me sinto tão frágil, meu equilíbrio está tão fraco que até mesmo você – que melhor não poderia ser – está me fazendo mal.
E sabe por quê?
Porque meu coração parece uma gelatina e meu cérebro está mandando aquele alerta de “PARE! PERIGO!”
E agora eu poderia estar mergulhada na história do homem livre do livro que comecei a ler hoje, ou então, poderia ter ido ver a comédia romântica que está passando na globo. Mas não.
E sabe por quê?
Porque eu prefiro ficar aqui, com meu livro no colo e o celular em uma das mãos. Prefiro não ver o que estou digitando e simplesmente ficar nessa minha solidão. E encara-la. E perceber que não tem a quem recorrer.
Eu estava tão acostumada... Tão acostumada a ir 200/h, 110/h... E agora está tudo à 50/h... E alem de eu não estar acostumada à isso, tenho que controlar essa estranheza e não deixa-la passar de apenas estranheza.
Não.
Chega.
As palavras me desmentem. Não era bem isso que queria dizer.
Vou tentar de novo.
Eu queria agora poder me encorujar em um lugar quentinho, e me sentir confortável por dentro e por fora.
Não quero dormir porque o dia não foi dia para mim. Foi um dia inútil, não vivi nada. Se envelhecer de súbito, amanhã, não terei nada para contar. Minha vida tem sido, monotonia, meu deus. Como eu odeio isso. Como me faz mal essa rotina. E pai, oh, meu pai, como ele me destruiu por dentro agora ao me mandar dormir dizendo: ‘vá dormir, porque amanhã começa tudo de novo!’ ...
E só de pensar que manhã realmente vai ser tudo de novo, tudo igual, estresse
Escrevo na vã tentativa de me comunicar com alguém e fazer essa alguém me contar, enquanto me encosta sobre o peito, uma metáfora da vida com a estrada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário